As lojas do Calçadão da Batista de Carvalho abrem suas portas hoje das 12h às 18h para a tradicional liquidação do Bota-Fora, quando parte dos produtos é colocada no lado de fora da loja para atrair a curiosidade dos clientes. Ontem, terceiro dia da liquidação, o Calçadão esteve lotado praticamente o tempo todo. A promoção continua na segunda-feira. Apesar do feriado, as lojas estarão abertas das 9h às 18h.
De acordo com o vice-presidente da Associação das Empresas do Calçadão (AEC), Franscisco Alberto de Bernardis, o Kiko, o Bota-Fora não é um evento que tem data definida. Ou seja, ele acontece eventualmente e os resultados têm agradado os comerciantes. Por isso, estarão com as portas abertas hoje e amanhã.
“Para os comerciantes abrirem as lojas aos domingos e feriados existe um custo operacional. Com certeza, o comércio não abriria suas portas se essa iniciativa não desse retorno”, alega Kiko.
No entanto, parte dos consumidores que passou ontem pelo Calçadão desaprova a atitude dos lojistas de trabalharem aos domingos. “Eu acho um absurdo. O domingo foi feito para as pessoas descansarem”, critica a dona de casa Jane Aparecida de Oliveira Forato, 37 anos. Segundo ela, quem precisa comprar algum produto não precisa do domingo para fazer isso. “Pode ter certeza que essa pessoa vai dar um jeito para comprar durante a semana. Porque era isso que todo mundo fazia quando o comércio não abria aos domingos”, afirma.
A professora Lurdes Morena Chagas Carvalho, 47 anos, também não concorda com o trabalho aos domingos. “Não é justo com os funcionários. Domingo é dia de descanso, dia de estar com a família”, opina.
Para a dona de casa Boni da Silva Oliveira, 47 anos, é preciso que haja um acordo entre patrão e empregado para que nenhum dos dois saia prejudicado. “Não sou contra (trabalhar aos domingos), mas é preciso que haja uma compensação para os funcionários e que eles estejam de acordo com essa troca”, comenta.
Uma comerciante ouvida ontem pelo Jornal da Cidade disse que prefere ficar em casa aos domingos. Segundo ela, é o dia que pode passar mais tempo com o filho e o marido. Se a folga fica para um dia no meio da semana não tem como ficar com eles. Enquanto um vai para a escola, o outro sai para trabalhar.
Há uma movimentação do Sindicato dos Comerciários contra a abertura das lojas aos domingos. O descontentamento está expresso em faixas colocadas na frente do sindicato. Para o vice-presidente da AEC, a manifestação é um pouco exagerada porque no primeiro semestre deste ano, o comércio abriu suas portas apenas em um domingo, dia 10 de junho, antevéspera do Dia dos Namorados.
De acordo com Kiko, as lojas abertas aos domingos atraem os consumidores da região. Além disso, o comércio interage com a feira próxima à Praça Rui Barbosa. “As pessoas vão à feira e aproveitam para dar uma passadinha no comércio e vice-versa”, diz.