Política

Memórias da Revolução de 32 transformam-se em educação e lições

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 2 min

Assim como seu pai e tio voluntários e ex-combatentes da Revolução Constitucionalista de 1932, Durval e Everaldo Guedes de Azevedo, a educadora Marília Guedes de Azevedo Pallota não guarda na memória os momentos tristes da revolução. Pelo contrário, lembra-se com orgulho dos feitos de seu ancestrais que participaram da história do País.

“Meu pai tinha boas recordações. Foi uma época difícil, de luta, mas os valores das pessoas eram diferentes. A religião, caráter e união familiar tinha mais importância do que hoje”, relembra.

Ela nasceu em Lins, mas mudou-se para Bauru com apenas 1 ano de vida. “Me considero bauruense de coração”, ressalta. Dentro de sua casa, os livros, recortes de jornal, fotografia guardam os momentos do passado no papel. “Ainda quero colocar no papel as minhas lembranças. Preciso começar a fazer isso, mas não precisa ser um livro, necessariamente”, afirma. Ela lembra-se que o pai também gostava das palavras. “Ele tinha uma caligrafia maravilhosa. Parecia um bordado”, conta.

Ao invés de chorar pela morte dos ex-combatentes na batalha ou na velhice, a educação e o carinho pela história criou vida na família. E hoje está materializada na escola que fica vizinha a sua casa: o Colégio Guedes de Azevedo.

A família tem tradição em educação há quatro gerações e Marília não deixa a história da revolução ficar esquecida entre os seus alunos. O início da comemoração foi no dia no dia 23 de maio. Na escola, os alunos receberam o ex-combatente Heny Scaf, hoje com quase 97 anos e morador de Bauru. Também viram de perto o capacete usado por Durval na revolução. Na história, nesse dia, em 1932, cinco estudantes morreram em um conflito armado na praça da República, em São Paulo, pouco antes de estourar a revolução (no dia 9 de julho).

Marília só fica triste quando alguém confunde os fatos. “Outro dia, uma mulher me disse que houve uma convocação para a revolução e um parente dela foi chamado. Isso não aconteceu. Os revolucionários foram voluntários”, conta.

A Polícia Militar de Bauru vai comemorar hoje, 9 de julho, o 75.º aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932, movimento armado no Estado de São Paulo para derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas e a instituição de um regime constitucional após a supressão da Constituição de 1891 pela Revolução de 1930.

Às 9h30, será realizada uma solenidade aberta à comunidade no quartel da PM, na avenida Major Fonseca Osório, 4-65, Vila Antártica.

O evento contará com a presença do presidente da Associação dos Veteranos de 1932, Heny Scaf, e de Natalino Antonio Mota, ambos combatentes da Revolução de 32, além de familiares de veteranos residentes em Bauru, que serão homenageados. Escoteiros do grupo Guia Lopes, autoridades civis e militares também estarão presentes.

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