Bauru não faz parte das principais rotas de entorpecente do Estado de São Paulo, mas mesmo assim somente no primeiro semestre deste ano foram apreendidos 113,6 quilos de drogas nas rodovias da área da 1.ª Companhia do 2.º Batalhão de Policiamento Rodoviário. No mesmo período, no ano passado, foram interceptados 573,4 quilos na área da companhia, que abrange 49 municípios da região de Bauru.
A diferença marcante é devido a uma grande apreensão efetuada em fevereiro do ano passado. Uma equipe de Lins encontrou, dentro de um Tempra, que estava sendo guinchado, 392,5 quilos de maconha. A droga estava distribuída dentro do porta-malas e no banco traseiro do veículo com placas de Agudos.
De acordo com o capitão Fernando Xavier Pinto, a área de Bauru não faz parte das principais rotas de tráfico. De toda a área do 2º Batalhão, que abrange mais de 245 mil quilômetros de rodovias, as regiões de Presidente Prudente, Assis, Araçatuba e Itapetininga, nessa ordem, são as que mais registram apreensões. “São locais próximos às fronteiras do Estado. Nessas áreas, os traficantes tentam entrar com drogas”, observa.
Por conta da maior incidência de apreensões, os policiais intensificam a fiscalização em veículos suspeitos. Enquadram-se neste critério carros com placas do Mato Grosso do Sul e também do Paraná, que são constantemente fiscalizados. O capitão revela que os principais veículos usados pelos traficantes são ônibus, tanto os de linha, quanto os fretados. “Em seguida aparecem caminhões, vans e veículos de passeio”, conta.
Nessas áreas de maior incidência de apreensão de drogas, é empregado não só o efetivo da própria base, mas também as viaturas do Tático Ostensivo Rodoviário. "O efetivo é empregado após um rigoroso planejamento”, explica Xavier. De acordo com o capitão, o Policiamento Rodoviário atua para prevenir que as drogas cheguem nas cidades. “Combatemos o transportador, o que pega a droga na fonte e leva ao destinatário”, diz.
O capitão Xavier ressalta que os policiais rodoviários recebem treinamento específico para abordar a questão do tráfico de drogas. “Eles conhecem as leis, sabem com identificar o entorpecente e um suspeito”, afirma. Xavier revele que os locais mais utilizados pelos traficantes para tentar transportar drogas em veículos de passeio são fundos falsos de assoalhos e tanques de combustível, interior do painel, o pára-choques. Há, ainda, mulher que amarra a droga ao corpo, simulando uma gravidez.
Recheado
No início desse mês, policiais rodoviários de Assis encontraram 84 quilos de maconha sob o tampão do porta-malas e o banco traseiro de um Vectra. Em maio, uma equipe de Ourinhos achou 69,3 quilos de maconha acondicionados nas portas laterais, atrás do pára-choque dianteiro, atrás do painel e na tampa do porta-malas de um Palio.
Alguns traficantes são mais ousados e engolem o entorpecente acondicionados em cápsulas de borrachas, para serem expelidas depois. Os policiais também procuram droga no interior de aparelhos domésticos.
O major Benedito Roberto Meira, coordenador operacional do 2.º Batalhão do Policiamento Rodoviário, informa que as principais entradas de drogas na área do batalhão são aos rodovias SP-333 e SP-425. “São rodovias que atravessam o Estado”, explica. Ele ressalta que, como o Paraguai é o maior produtor de maconha da América do Sul, traficantes que entram por Foz do Iguaçu (PR) tentam atingir as regiões mais ao norte do País, cortando São Paulo.
“Por isso, cidades mais próximas às fronteiras do Estado, como Araçatuba, Presidente Prudente e Assis, efetuam mais apreensões”, observa. Major Meira ressalta que os veículos que tentam chegar a Bauru pela rodovia Marechal Rondon, até chegar à cidade, já passaram por muitas bases de Policiamento Rodoviário, e foram fiscalizados anteriormente.