Buenos Aires - Após uma reunião do presidente Néstor Kirchner com executivos das petroleiras YPF, Esso e Petrobras, o governo argentino anunciou um programa de substituição de gás por combustíveis líquidos para a indústria, em mais uma medida para combater a crise energética vivida pelo país.
O programa “Energia Total”, anunciado pelo ministro do Planejamento, Julio de Vido, prevê que as petroleiras forneçam às indústrias combustíveis líquidos (gasolina e diesel) para suas máquinas pelo mesmo preço que cobrariam pelo gás natural. A duração inicial do plano é de 90 dias.
Com isso, afirmou De Vido, o governo espera que seja gerada uma economia diária de 5,8 milhões de metros cúbicos de gás (mais do que os 4,6 milhões que o país importa hoje da Bolívia), que seriam redeslocados para a produção de eletricidade e o consumo residencial. A indústria responde por 35% do consumo de gás em períodos normais, contra 20% das casas e 30% das centrais elétricas.
O programa é uma tentativa de resolver os problemas da indústria, maior afetada pela crise energética que começou no fim de maio. Pelo menos 4 mil fábricas do país foram prejudicadas pela falta de gás e pelo racionamento de eletricidade - durante oito horas por dia, são obrigadas a reduzir seu consumo aos níveis de 2005, com o que o governo calcula economizar 1.200 MWh, que impedem o sistema elétrico de entrar no comércio.
A cota de sacrifício da indústria ficou clara com a divulgação dos números do consumo elétrico em junho. Em relação ao mesmo mês do ano passado, aumentou 7,3% o consumo de eletricidade. O aumento aconteceu em todas as categorias tarifárias, menos a dos grandes usuários (na qual houve um recuo de 9,9%).
Analistas temem que a restrição energética ao setor industrial leve a uma desaceleração do crescimento da economia do país, que vem se mantendo acima dos 8% nos últimos anos. Apesar dos alertas, o governo não abre mão de dar prioridade absoluta aos consumidores domésticos, por medo dos efeitos eleitorais que teria um racionamento de energia para os cidadãos.
A falta de incentivos à economia pelas casas teve como resultado um aumento de 17,4% no consumo de eletricidade por usuários residenciais entre maio e junho.
A medida de oferecer combustível líquido a preço de gás para as indústrias é uma repetição do que já acontece desde terça-feira nos postos de combustível do país, onde taxistas podem abastecer seus carros com gasolina ao mesmo preço que pagariam pelo GNV (gás natural veicular), que é 50% mais barato.