Convocado pela Associação Brasileira da Indústria da Panificação e Confeitaria (Abip) para durante alguns dias ajudar na coordenação dos trabalhos da padaria que a entidade montou na Vila Pan-Americana para os jogos do Rio, o presidente do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria de Bauru, Evaristo Gonzales, chegou ontem pela manhã na Capital fluminense e, em menos de 24 horas, já pôde sentir o sucesso da instalação entre os atletas.
“A produção não pára. O coordenador de produção, Luis Barros dos Santos, entrou de manhã e não parou até agora”, disse Evaristo ontem à noite por telefone. O período da manhã é o mais movimentado, quando o restaurante da vila, onde fica a padaria, é ocupado por cerca de 2 mil atletas e treinadores. Durante o dia, cerca de 15 mil pessoas são servidas no restaurante.
A quantidade de pães produzida diariamente é tão grande que mais uma pessoa de Bauru foi chamada para ajudar na produção, hoje com dois padeiros e 17 ajudantes. José Carlos Piagente, instrutor da Escola de Panificação e Confeitaria do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) vai hoje para o Rio.
Além de constatar o volume de trabalho na padaria da Abip, Evaristo, que volta a Bauru na sexta-feira, também já percebeu os hábitos das delegações de outros países quando o assunto é pão. Segundo ele, os atletas de Cuba são os que mais se servem na panificadora e no restaurante de um modo geral. “Todo mundo até comenta o quanto eles comem. A gente fica impressionado”, afirmou. De acordo com o presidente do sindicato, os cubanos têm uma preferência especial pelo pão francês, que está sempre quente porque a produção é constante. “Eles ficam loucos pelo pão francês quentinho... Pode ser que não ganhem tantas medalhas, mas a medalha da alimentação eles vão ganhar”, brinca Evaristo.
“Bolinha”
Apesar do pão francês recém-saído do forno fazer sucesso, a maior procura na panificadora tem sido pelo pão de queijo, praticamente desconhecido fora do Brasil. Segundo Evaristo, todas as delegações adoram a iguaria mineira. “Como eles não sabem o nome, o pessoal da América Latina pede a ‘bolinha’”, contou. Outra especialidade nacional, o pão de batata, também é procurado. “Eles não conhecem, mas quando provam já pedem mais”.
A variedade de pães produzidos pela padaria da Abip é grande (veja quadro) e varia de acordo com a refeição. Além dos tipos mais consumidos no Brasil, variedades mais populares em outros países também estão sendo feitas, como é o caso do pão de fôrma, o preferido das delegações dos Estados Unidos e do Canadá.
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Outro bauruense no Pan
A demanda na panificadora da Abip no Pan é tão grande que entidade convocou mais profissionais para colaborar com a produção. Um deles é o bauruense José Carlos Piagente, o mestre Zezinho, instrutor do Senai.
Zezinho recebeu anteontem o convite e parte hoje para o Rio de Janeiro, onde ficará até o dia 28. “Foi uma surpresa, nunca imaginei que iria participar de um evento como esse. A expectativa é grande”, conta o instrutor, que vai pela primeira vez para o Rio. A lembrança de que vai para o Pan para, com o seu trabalho, ajudar a “apagar o fogo” na panificadora, não intimida Zezinho. “É a minha área, é o que eu gosto”, diz.