Até ontem, como a maioria dos brasileiros, o ex-jogador de basquete Oscar Schimidt nunca havia assistido a uma partida de pólo aquático. Em sua primeira experiência, mostrou ser pé quente e viu o Brasil vencer Cuba, por 10 a 5, no encerramento da 1ª fase da modalidade feminina no Pan.
Com o resultado, o Brasil conseguiu o que buscava: não pegar os Estados Unidos nas semifinais e vai brigar com o Canadá, hoje, às 18h, por uma vaga na final. Já as norte-americanas jogarão contra Cuba.
“Nunca imaginei que o jogo fosse tão legal. A piscina é enorme e o esporte é para ‘macho’”, brincou o maior ídolo do basquete brasileiro, que fez questão de parabenizar as brasileiras após o jogo, pessoalmente.
“Se estar aqui já é uma grande emoção, imagine ter o Oscar na platéia”, frisa a bauruense Maria Bárbara Kernbeis, central da seleção, antes de ganhar um abraço do ídolo. “É estranho mudar de lado, ontem eu era fã e hoje sou ídolo. As pessoas me pedem autógrafos”, completa.
Sorridente pela classificação à próxima fase e confiante em um bom resultado diante das canadenses – mesmo após a derrota por 5 a 2, na etapa inicial, a bauruense confessa uma relação especial com os Jogos Pan-Americanos.
Estreante na competição, ela conta que só descobriu a modalidade durante uma reportagem sobre a participação do País na edição do Canadá, em 1999.
“O esporte está crescendo com o tempo. Em Santo Domingo, o Brasil foi bronze, agora queremos a prata”, antecipa ela que, atualmente radicada nos Estados Unidos, reconhece a superioridade das rivais. “Elas são campeãs mundiais, ninguém ganha dos Estados Unidos no Pan”.
Luiza Carvalho
Outra bauruense, a também central Luiza Carvalho, de 24 anos, e jogadora do Pinheiros/São Paulo, compartilha da opinião de que estar no Pan é uma experiência única. “É uma sensação indescritível jogar com um público tão grande e animador”.
Com a vitória diante de Cuba ontem, a comemoração só não foi maior em solidariedade as famílias das vítimas do acidente da TAM, no aeroporto de São Paulo. Antes do jogo, como aconteceu nas outras modalidades, houve um minuto de silêncio. As jogadoras também usaram uma faixa preta no braço e na touca.
“Quando ficamos sabendo da tragédia, foi uma grande apreensão porque o irmão da Melina (também da seleção) era para estar no vôo. Depois, ele ligou avisando que estava bem e que iria pegar o próximo. Mesmo assim, a tristeza na Vila foi grande. Todo mundo querendo saber mais informações”, contou.