Uma enquete publicada no Orkut, página de relacionamentos da Internet, gerou Boletim de Ocorrência (BO) contra Nayara Keite Santos Almeida, namorada do mecânico Jorge Luiz Lourenço, 22 anos, morto em abril durante uma blitz da Polícia Militar.
Na enquete, publicada na comunidade “Saudades... Nosso Jorginho”, Nayara pergunta o que deve acontecer com os policiais que atiraram no mecânico. Entre as alternativas está “serem expulsos e presos”, “enlouquecerem” e “acontecer a mesma coisa com eles (morrer)”. Até ontem pela manhã, a última opção estava com mais votos dos internautas e foi essa pergunta que, provavelmente, gerou o Boletim de Ocorrência.
O BO foi registrado por Renato Valderramas de Favari, um dos PMs acusados de participar da morte do mecânico. Nayara foi intimada para prestar esclarecimentos ontem, no 3o Distrito Policial. O caso está sendo conduzido pelo delegado Dinair José da Silva, que preferiu não se manifestar a respeito do caso.
De acordo com Nayara, não houve maldade na publicação da enquete, foi apenas uma forma de manifestar a indignação e revolta. “Não tem nada demais, é liberdade de expressão e pensamento. Se for errado, não tivemos a intenção, não foi por maldade”, comentou.
Porém, a advogada do policial, Fernanda Cabello da Silva Magalhaes, avalia que a enquete no Orkut, aliada a outros fatos, representa sim uma ameaça. "Também foi feito boletim quando um motociclista abordou o filho do policial na rua e colocou uma arma na cabeça dele", diz. "Se algo vier a acontecer com os policiais, suas famílias ou seus patrimônios, essas pessoas serão suspeitas", completa.
Segundo os policiais envolvidos na perseguição, antes de ser atingido, Jorge pilotava uma Falcon vermelha com a placa virada. Por esse motivo, uma patrulha pediu que ele parasse no entroncamento da rua Araújo Leite e avenida Nuno de Assis.
Ele não teria atendido à indicação e tentou fugir em alta velocidade. Foi perseguido, trocou tiros com a patrulha e baleado na cabeça num matagal ao lado da avenida Rosa Malandrino Mondelli. Segundo a família, trata-se de uma pessoa honesta que teria sido executada.