Prioridade, a medalha de ouro não é o único desejo do técnico da Seleção Brasileira feminina de basquete, o bauruense Antônio Carlos Barbosa, no Pan-Americano do Rio de Janeiro. O veterano treinador torce para que a competição traga, de fato, bons frutos para a modalidade. “O Mundial do ano passado, também realizado no Brasil (em São Paulo), teve visibilidade tão grande quanto o Pan, mas depois que acabou nada aconteceu. Espero que seja diferente agora, porque é preciso mudar”.
Se tudo sair como almeja, o lugar mais alto do pódio não só irá garantir despedida digna da carreira de Janeth – que se aposenta da seleção após a competição – como será o pontapé inicial para a necessária retomada nos trabalhos de base.
“O que fazemos no basquete feminino do Brasil hoje é um milagre. Necessitamos urgentemente de nova política esportiva, caso contrário, vamos estagnar. Se não há iniciação, não existem novos talentos e, sem grandes jogadoras, os investidores não aparecem. É um ciclo”, afirmou o treinador.
O grande problema do basquete feminino brasileiro, segundo ele, é a comparação com o passado e a cobrança para que apareçam outras atletas como Hortência e Paula. “Elas eram excepcionais e dificilmente teremos outras iguais, mas com elas o Brasil nunca venceu uma Copa América. O grupo atual ganhou duas. Comparar não é a questão, assim como não podemos dizer que, sem a Janeth, a modalidade acaba. Temos outros nomes como a Iziane, a Kelly e a Adrianinha.”
Barbosa volta a apostar nas categorias de base como solução. “E não estou falando em criar um local de treinamento em cada cidade de 400 mil habitantes. Temos que ter vários. Os Estados Unidos, por exemplo, tem 457 mil jogadores saindo das escolas. No Brasil, o número de federados não chega a mil”.
Pan
De novo, o Mundial de Basquete do Brasil, em setembro do ano passado, é usado como exemplo do que deve ser mudado durante o Pan. “A pressão da torcida atrapalhou o grupo no Mundial, isso foi claro. Tínhamos jogado contra a Argentina um mês antes e vencemos com 30 pontos de diferença. Depois, no Mundial, ganhamos por apenas dois pontos, e mesmo com a equipe reforçada”.
Para não repetir o erro, a comissão técnica tem trabalhado, além da parte tática, o lado psicológico do grupo. “Atleta de alto nível não pode se deixar influenciar com a pressão da torcida e precisa demonstrar tranqüilidade em quadra. O que eu tenho pedido para as atletas é que pensem como vencedoras, independentemente do resultado. Quem responde por placar sou eu e não fujo das minhas responsabilidades”.