Internacional

Turquia vai às urnas para pleito legislativo antecipado

Folhapress
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Damasco - As eleições legislativas na Turquia, que foram antecipadas, levarão mais de 42 milhões de pessoas às urnas hoje e serão determinantes para o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), atualmente no poder, que nasceu na esfera de influência dos islamitas após uma grave crise política que se instalou entre o governo e os setores laicos.

Os resultados obtidos pelo AKP são ainda a grande incógnita do pleito turco, principalmente em relação à margem de manobra e governabilidade de que disporá o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, que já declarou que não pretende formar qualquer tipo de coalizão e anunciou que renunciará caso o AKP não obtenha votos suficientes para governar sozinho, como faz desde as eleições de 2002.

De acordo com as últimas pesquisas, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento tem a preferência de 42% dos eleitores. Isso permitiria que a agremiação preenchesse mais de 300 das 550 cadeiras do Parlamento, formando assim uma confortável maioria absoluta.

No entanto, parte da imprensa vem alertando sobre a confiabilidade dessas pesquisas. Surgido das cinzas de um partido pró-islamita em 2001, o AKP nega ter a intenção de “islamizar” o Estado turco, mas setores laicos da cena política do país continuam alarmados.

O Estado laico é questão crucial em uma Turquia 99% muçulmana e foi o estopim da atual crise política, dese ncadeada quando o AKP tentou impor seu candidato à presidência do país, o chanceler Abdulah Gul, ex-líder do movimento islâmico.

O Exército, que desde 1960 já foi responsável pela queda de quatro governos turcos, fez uma dura advertência contra qualquer tentativa de questionar o Estado laico. Além dos militares, outros setores laicos do país (funcionários públicos, magistrados e professores universitários) fizeram uma campanha de massivas manifestações populares contra o AKP.

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