Matemática é a vilã de adolescentes como Juliana Ferraz, 16 anos, que, por causa da dificuldade de entender a matéria, as férias de julho são sinônimo de aula ao invés de descanso e passeios. “Estudo de segunda a sexta-feira pela manhã em julho”, conta a aluna que assume não ter dado tanta atenção para os livros durante o período letivo, motivo pelo qual teve que recorrer às aulas particulares para “tirar o seu boletim do vermelho”.
“Eu falo para os meus alunos que quanto antes correr atrás, melhor”, ensina o professor de matemática José Eduardo Pinho Palumbo, o Pinho. Ele acredita que as deficiências de aprendizagem acontecem desde o início do ensino fundamental, período que o aluno precisa de um estudo sólido para ter bagagem e entender com maior facilidade as matérias do ensino médio. Por isso, Pinho dá a dica para que as aulas de julho sejam uma reciclagem de conteúdo. “É preciso retomar para poder encarar daqui para frente”, explica.
As aulas particulares de reforço custam de R$ 25,00 a R$ 40,00 por hora. O tempo necessário de dedicação depende da intenção e do grau de dificuldade do aluno. Pinho indica que, para quem quer fazer apenas uma revisão, duas a três horas de estudos por semana são ideais. Mas para quem está “com a corda no pescoço” é necessário estudar quase todos os dias. “Tem que dar uns intervalos para não cansar muito”, aconselha Pinho.
O professor alerta quem tem mania de deixar tudo para última hora: “Em 20 dias não dá para ensinar tudo o que foi passado em um semestre”, ressalta. Mas ele dá uma esperança para aqueles que assumem que precisam de ajuda. “O aluno que consegue ver que está com dificuldade, está no caminho certo”, ensina.
A professora de português Alinne Rios vê no estudos de julho uma oportunidade melhor do que deixar para rever tudo em novembro. “A maioria estuda para a última prova do ano, para a recuperação, mas é melhor adiantar as dúvidas. Caso contrário, o aluno chega ao novo ano sem lembrar o que estudou e despreparado para aprender coisas novas”, opina.
Heloisa Ferraz Troijo, 16 anos, aproveita o mês de julho para se dedicar aos estudos para o vestibular. Essa é a segunda férias que ela “não tem”. “Estudo de três a quatro horas diariamente, mas não deixo de ter uma vida social”, garante Heloisa, que ainda encontra espaço na sua agenda para as baladas. O segredo dela para administrar o tempo é simples. “Aproveito as horas da melhor maneira possível e só estudo quando estou disposta. Não pode ficar só naquilo, senão cansa”, acredita.
A maneira saudável de Heloisa encarar os estudos depende de sua organização, a chave principal para o sucesso e para a sua saúde. Além de estresse, a terapeuta cognitiva Milena Felicixa acredita que não ter tempo para os divertimentos típicos das férias pode provocar doenças causadas pela baixa imunidade e dores estomacais. Milena defende também que as férias têm um papel importante para a própria aprendizagem. “Todo mundo precisa de um tempo para descansar. As férias servem para recarregar as energias e voltar as aulas com outra disposição. É preciso lembrar que tudo tem o seu tempo”, ensina a terapeuta para que férias mais descanso sejam igual a dez também no boletim.
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Organização
A terapeuta Milene Felicixa observa que é preciso ter prioridades estabelecidas durante o ano para que os estudos não acumulem a ponto de invadir o calendário nessa época usada para o descanso e divertimento. “Deixar os estudos para a última hora revela que o aluno precisa reorganizar a sua rotina”, acredita. Milene dá dicas para quem quer se organizar para conseguir boas notas sem precisar estudar durante as férias.