Você já comprou alguma coisa só porque estava em liquidação? Mesmo tendo comprado algo há meses, ainda não usou? Você não resiste a um produto novo que viu em uma propaganda na TV? Já sentiu-se perdido com as faturas do cartão de crédito, carnês e cheques pré-datados? Se você respondeu positivamente a algumas dessas perguntas, pode ser um consumidor impulsivo.
Diante do bombardeio diário das mensagens publicitárias, pode ser difícil controlar a ânsia por comprar. Ainda mais em um mercado que incentiva a compra a prazo. De acordo com o economista Wagner Ismanhoto, muitas pessoas que têm hábitos de consumo incompatíveis com sua renda acabam se deixando seduzir pelo apelo das prestações a perder de vista. Contra isso, o melhor remédio é a disciplina no controle dos gastos.
“As grandes lojas apostam na teoria de que o brasileiro não tem a característica de fazer compra à vista. Mas o consumidor precisa entender que pagar juros implica em uma diminuição do seu poder de compra. É um dinheiro jogado fora”, frisa.
Além dos juros, há outra desvantagem nas compras a prazo: ao longo dos meses em que se paga a conta, podem surgir imprevistos que demandem um gasto adicional. Se a pessoa perder o emprego ou ficar doente, por exemplo, pode ficar inadimplente e acabar dependendo do cheque especial e de renegociações na fatura do cartão de crédito.
Caso não consiga saldar as dívidas, o consumidor pode até mesmo ter o nome incluído no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e Serasa. “Depois, para sair dessa situação fica bastante complicado”, alerta Ismanhoto.
De acordo com o economista, para reduzir gastos e garantir um saldo positivo no final do mês é preciso desenvolver disciplina e estabelecer metas. “A dica é nunca fazer um orçamento justo. Se você ganha R$ 1 mil, faça um orçamento em que você gaste R$ 900,00. Se houver uma emergência, você terá de onde tirar”, ensina.
Planejamento
Existem pessoas que conseguem equacionar exatamente suas despesas de acordo com o seu potencial de compra. É o caso da jornalista Elaine Bertone, que acredita ser organizada com suas finanças. “Não excedo nunca meu orçamento. Nunca precisei usar meu limite no cheque. Faço bastante uso do meu cartão de crédito, mas pago a fatura integralmente assim que ela chega”.
Para Elaine, acompanhar cada centavo gasto auxilia no controle do dinheiro. Ela nunca deixa de conferir os extratos bancários e já encontrou, inclusive, lançamentos indevidos. “Se você não tem o hábito de conferir, nunca vai perceber isso”, afirma.
Profissional liberal, a jornalista conta que o controle mensal permite que ela guarde dinheiro até para usufruir de férias. “Eu não vou ganhar nada naquele mês, mas como faço uma reserva durante todo o ano, posso ficar tranqüila”, destaca.
Elaine também revela que possui um plano de aposentadoria particular - Previdência Privada - vinculada a uma instituição financeira para garantir um futuro confortável. “São pequenas coisas possíveis de fazer. Com organização, é possível viver bem e saciar todas as vontades no momento certo”, explica.
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Compras x controle
• Para evitar arrependimentos, ao fazer uma compra a prazo tente projetar o pensamento para o dia em que o valor será pago
• Se quiser comprar um bem e não puder esperar, faça um empréstimo, mas tente amortizar boa parte do valor com pagamento à vista
• Pesquise bastante. As diferenças de preços e taxas de um mesmo produto podem ser muito grandes
• Busque as melhores condições de compra. Pesquise condições à vista e taxas de juros
• Pechinche. O mercado está muito competitivo e o momento da economia favorece o consumidor
• Faça reservas e tente se antecipar para eventuais problemas ou necessidades que possam surgir