Rio de Janeiro - O adversário, a fase e a competição são as mesmas, um detalhe, no entanto, torna a partida de hoje ainda mais complicada para a seleção masculina de vôlei: o treinador da Venezuela. Ricardo Navajas é um velho conhecido dos brasileiros. Metade da equipe de Bernardinho já passou por suas mãos.
Com carreira marcada por seu temperamento forte e algumas confusões, o treinador do time venezuelano sabe como poucos a forma de atuar dos rivais. E conhece mecanismos para tentar desestabilizá-los. Hoje, às 22h, ele testa suas estratégias na quadra do Maracanãzinho em busca pela vaga na decisão do Pan-Americano.
Em 2003, a Venezuela surpreendeu nas mesmas semifinais, eliminou os brasileiros e levou o ouro em Santo Domingo. Foi o pior tropeço da atual geração brasileira. Nos últimos dias, Navajas vem destacando a fragilidade de sua equipe e as inúmeras qualidades da seleção do Brasil.
“Eles são os melhores do mundo. Não temos condições de incomodá-los. Meu objetivo é chegar com esse time à Olimpíada de Pequim (em 2008). No Pan, nossa meta era a semifinal. Agora tentaremos fazer nosso melhor”, afirmou.
Para os brasileiros, jogo de cena. Segundo eles, isso faz parte da estratégia do adversário. “Joguei com o Navajas no Suzano, sei bem como ele é. Ele fala essas coisas para mexer com os jogadores dele. Faz exatamente como quando eu estava lá”, afirmou o capitão Giba.
O atacante viveu momentos complicados no Suzano em 1999. O time, um dos mais tradicionais de São Paulo à época, atrasou os pagamentos.
Na reta final da Superliga daquele ano, Ricardo Navajas também viveu uma situação peculiar com o levantador Marcelinho, seu rival na Olympikus. O treinador aplicou uma multa a ele mesmo - 10% de seu salário - por ter exagerado em provocações ao jogador. Navajas o havia acusado de ter simulado contusão no joelho quando Marcelinho atuava no Suzano, em 1998. Navajas assumiu a Venezuela há menos de dois meses. Afirmou que até teve de buscar atletas em casa para treinar. Segundo o treinador, sua seleção parou no tempo depois da conquista do Pan de 2003.
Para Bernardinho, no entanto, isso não interfere em sua preocupação. “Desconheço os fatos. Sei que os jogadores deles atuam em equipes qualificadas da Europa. Alguns deles são jovens, mas bastante rodados. É natural que queiram jogar o favoritismo para nós.”