Economia & Negócios

Gastos de férias podem ser revertidos

Da Redação
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As férias de julho estão quase terminando e muita gente já começa a sentir no bolso o reflexo dos gastos adicionais do período. Viagens e passeios com os filhos são importantes, mas representam um peso no orçamento familiar. Quem optou por passar mais tempo dentro de casa acabou por aumentar o consumo de energia elétrica, telefone e alimentos. A necessária compra do material escolar para o segundo semestre também pode ter pesado no bolso de quem não pesquisou os melhores preços.

Para o consultor financeiro, especialista em economia doméstica e direitos do consumidor Cláudio Boriola, o período de férias é sempre bem-vindo para o descanso e para momentos de descontração, mas são problemáticos na medida em que podem gerar descontrole financeiro. “Sempre que as férias acabam é a mesma história: bolso vazio e um monte de dívidas a pagar. O jeito agora é o endividado tentar encontrar uma saída para o labirinto que ele mesmo construiu”, diz.

Segundo o especialista, para equilibrar a situação é preciso estabelecer um planejamento para o orçamento doméstico, discriminando gastos fixos, despesas variáveis, dívidas atrasadas e pagamento de impostos. Feito isso, o consumidor deve aprender a cortar gastos supérfluos, que aparentemente não pesam no orçamento. “Coisas como o chopinho com os amigos no final de tarde, a passadinha na lanchonete para saborear um sanduíche são gastos pequenos, mas que podem, sim, pesar no bolso no final do mês”, destaca Boriola. Reduzir a conta do telefone fixo, falar menos ao celular, deixar o carro alguns dias na garagem são outros exemplos citados pelo economista.

Com o orçamento no vermelho, também é importante tentar renegociar as dívidas com os credores, visando diminuir a taxa de juros e obter um reparcelamento dos valores. Outra recomendação do consultor é que seja separado um valor, mesmo que mínimo, do orçamento mensal para pagar cada um dos débitos. “A pessoa deve dividir esta sobra de forma que seja possível pagar as parcelas de todos os débitos, sem atrasar nenhum”, explica.

Prioridades

De acordo com o especialista, a ansiedade por consumir produtos que estão além do poder de compra do consumidor é, muitas vezes, a causa das dificuldades financeiras. O endividado deve, portanto, se esforçar para abrir mão do luxo em prol da retomada do controle financeiro. “Se a pessoa está acostumada a comprar um determinado produto, deve passar a consumir outro de menor valor. É preciso ter em mente que a prioridade é pagar as dívidas sem ter que recorrer a empréstimos”, alerta.

O plano imediato da professora Loidimara Mariano Rodrigues é exatamente este. Saldar as despesas adquiridas nas férias de julho cortando gastos extras. Por conta do recesso escolar, ela pôde usufruir de férias junto com a filha Inara, de 8 anos.

Logo nos primeiros dias, elas viajaram para Birigüi para visitar primos e tios. Dias depois, receberam em casa a visita dos mesmos parentes. “Paguei o combustível da viagem com cheque pré-datado. Quando os parentes vieram, preparei uma confraternização e tive gastos adicionais com supermercado, que também paguei a prazo”, conta Loidimara.

Durante o mês de julho, a professora pagou a prestação do carro financiado e parcelou a compra de calçados e do álbum de formatura. Também utilizou as férias para renovar a carteira de habilitação. “Só no curso e nas taxas foram R$ 130,00”, revela.

Com tempo de sobra, ela aproveitou para usufruir de momentos junto da filha. “Nos fins de semana, levava a Inara para andar de bicicleta perto do Fórum, o que gasta combustível. Também comprei o DVD do filme ‘A Era do Gelo’, que ela queria muito.” Como gosta muito de sair para dançar e “tomar um chopinho”, como diz, Loidimara gastou um pouco mais nos encontros semanais com os amigos.

Preocupada com as dívidas contraídas, em agosto ela pretende cortar despesas extras como locação de filmes, passeios, combustível e telefone. “Sou controlada, mas não teve como não exceder o orçamento. Agora vou segurar bastante porque mês que vem voltam outros gastos como combustível para o trabalho e para a escola, a natação e o balé da Inara”, diz.

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Poupar é a saída

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 42 milhões de brasileiros sofrem com o endividamento crônico. Isso representa mais de 22% da população com dívidas impagáveis de acordo com a sua possibilidade de ganho. Para o economista Fernando Pinho, os números são reflexo de falta de planejamento de gastos aliada à incapacidade de economia.

Segundo ele, todas as pessoas, endividadas ou não, devem começar a fazer provisões o quanto antes. “Uma dica é usar a primeira parcela do 13.º salário, caso não tenha compromissos financeiros urgentes, para investir em uma caderneta de poupança”.

O economista também orienta a separar 10% do salário líquido mensal para fazer uma reserva financeira. “Daqui a seis meses, as pessoas estarão em férias e os gastos aumentam novamente com festas, pagamento de IPTU, IPVA, matrícula da escola dos filhos, uniformes e materiais escolares”, lembra. Para Pinho, ser previdente é a melhor forma de garantir férias prazerosas sem apuros nos meses seguintes.

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