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Entrega em domicílio estimula contratações de motociclistas

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

A busca pelo diferencial e a preocupação em oferecer conforto aos consumidores têm levado as lojas de autopeças e acessórios para veículos a contratar motociclistas. A exemplo do que ocorre no ramo de alimentos, eles fazem entregas em domicílio dos produtos adquiridos. É a forma que as lojas encontraram para preservar seus clientes, cada vez mais descontentes com a falta de vagas para estacionar o carro, principalmente no Centro, ou que não têm tempo para ir atrás de uma lanterna ou calota nova, por exemplo.

A demanda por esse tipo de serviço tem aumentado muito e isso tem forçado as lojas a contratar mais funcionários. Em pelo menos dois estabelecimentos visitados pelo Jornal da Cidade houve contratações recentes para esse fim.

Um deles fica na quadra 8 da rua Araújo Leite. Segundo a gerente da loja, Leyslie Christina Assumpção, 28 anos, a movimentação de clientes aumentou cerca de 50% desde o início do ano. A dificuldade em encontrar estacionamento perto da loja aumentou a procura pela entrega em domicílio, o que levou a loja a contratar dois novos motociclistas para atender a demanda.

Na mesma rua, na quadra 3, uma outra loja de autopeças e acessórios para veículos teve de fazer o mesmo para conseguir dar conta de todos os pedidos. Dois motociclistas foram contratados há cerca de quatro meses. Nas duas lojas, além de atender os clientes nas casas, os motociclista entregam peças também nas oficinas e revendedoras de veículos. A maioria dessas revendedoras, antes de colocar o veículo à venda elas, muitas vezes, trocam as peças que estão danificadas por novas.

A disseminação do uso da película escura que serve como protetor solar também teve seus reflexos na geração de novos negócios e empregos. Segundo informou Eduardo Sacuno, 37 anos, proprietário de uma loja na quadra 12 da rua 1.º de Agosto, mais um funcionário será contratado no próximo mês para reforçar a equipe que trabalha quase exclusivamente aplicando o Insulfilm nos vidros dos carros.

Hoje, a demanda é tanta que os funcionários que já existem na loja não conseguem dar conta do serviço. Sacuno revela que até o mês passado ainda não tinha sentido os efeitos do aumento nas vendas de veículos. No entanto, em junho, houve um crescimento de aproximadamente 15% na venda de acessórios.

Carlos Eduardo Martins Tunes, 21 anos, afirma que cerca de 70% dos carros que chegam à loja dele hoje possuem insulfilm. “Tem veículos 0km que já saem da concessionária com a película”, diz.

Na indústria também foram abertas novas vagas de emprego. De acordo com Munir Zalaf Filho, gerente comercial de uma empresa que fabrica baterias para veículos, a diversificação da produção levou à contratação de mais funcionários, nos últimos cinco anos.

No entanto, ele acredita que o reflexo da venda recorde de veículos no Brasil este ano somente será sentida pela empresa daqui há um ano e meio, mais ou menos. Segundo ele, esse é o tempo de vida útil de uma bateria. Como grande parte dos carros que estão sendo vendidos hoje é 0km, ainda vai demorar um pouquinho para que o proprietário troque de bateria.

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Manutenção

Ao contrário dos carros 0km, o crescimento na venda de veículos seminovos tem reflexo imediato nas lojas de autopeças. Segundo os proprietários dessas lojas, isso ocorre porque ao comprar um carro a pessoa procura trocar todas os componentes mais importantes como medida preventiva. “Quando a pessoa compra um carro, ela não sabe em que condições está o veículo. Então, para evitar surpresas desagradáveis, ele troca o que pode”, comenta Diego Martins, 25 anos, sócio-proprietário de uma loja de autopeças localizada na quadra 5 da avenida Castelo Branco.

Entre as peças de maior procura, ele cita o filtro de óleo, correia dentada, cabos de vela, pastilha de freio e filtro de ar, além de óleo e lubrificantes. Mas os cuidados não ficam apenas com a parte mecânica do veículo. Existe uma preocupação muito forte com o lado estético também. “Antes, não trabalhávamos com vendas de acessórios, mas a procura era tão grande que decidimos abrir espaço aqui na loja para esses produtos”, conta Martins.

De acordo com ele, nos últimos dois meses a loja registrou um aumento de vendas próximo de 10%. “Realmente deu para notar que houve um crescimento, mas ainda é pequeno”, constata. Ele lembra que na avenida Castelo Branco, onde está instalada a loja, o número de revendedoras de carro aumentou de quatro para oito desde o início do ano. Na avaliação dele, é uma prova de que o mercado de automóveis está aquecido.

Carlos Augusto Batista, 40 anos, funcionário de uma loja de autopeças na quadra 3 da rua Araújo Leite, lembra que as revendedoras também procuram fazer uma revisão nos veículos seminovos, antes de vendê-los. E como houve um aumento na oferta de veículos, é natural que tenha aumentado a venda das peças de reposição preventiva.

Por outro lado, o crescimento na venda de carros novos pode representar um certo prejuízo para as lojas de autopeças. “Um carro 0km demora uns cinco anos para apresentar problemas. É só depois desse tempo que ele começa a exigir gastos com manutenção”, diz Batista. Ou seja, se as lojas dependerem dos carros novos para ter lucro, elas vão à falência.

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