Saúde

Toques e retoques

Consultoria: Daniela Hueb
| Tempo de leitura: 4 min

Apimentar a vida traz benefícios à saúde

Prezado leitor,

Começo a coluna desta semana levantando uma questão bem simples: será que apimentar a vida traz mesmo benefícios à saúde? Embora muitos estejam pensando em apimentar a vida de outra maneira, o que em muitos casos é bem recomendável, hoje vamos comentar apenas sobre este alimento que literalmente nos faz pegar fogo: a pimenta.

Em princípio parece que é impossível pensar em benefícios quando o assunto é pimenta, afinal, ao comê-la os nossos olhos lacrimejam, nossa boca e nossa língua ardem e ficam vermelhas e, por alguns segundos, acreditamos ser capazes de acabar com a reserva de água do planeta. Mas, contrariando a tudo isso, estudos realizados pela comunidade científica e farmacêutica já identificaram diversas propriedades benéficas desse alimento.

A pimenta é rica em vitaminas A, B1, B2, B3, C, E e capsaicinóides, ou seja, ela pode prevenir os coágulos sanguíneos que causam enfartes ou derrames cerebrais porque tem ação vasodilatadora. Ela tem ainda componentes antiinflamatórios e antioxidantes que atuam no antienvelhecimento. Sem contar que ela ajuda na prevenção de alguns tipos de cânceres. Outra vantagem é que a pimenta pode aliviar a congestão nasal e por ser termogênica, ajuda a queimar calorias.

Mas para entender melhor os benefícios que esse alimento proporciona, é preciso aprender um pouco mais sobre as suas propriedades nutricionais.

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1) Por que ela arde?

Resposta: A picância das pimentas vermelhas deve-se à presença de uma substância chamada capsaicina, que em excesso pode destruir os sensores localizados na boca, afetando o paladar por conta dessa ardência que proporciona. Já no caso da pimenta-do-reino, a substância que causa esse efeito é chamada de piperina.

2) Quais são os principais tipos?

Resposta: Pimenta malagueta; pimenta-do-reino; pimenta comari; pimenta de cheiro; pimenta chifre-de-veado; pimenta-da-jamaica; pimenta-rosa; pimenta jalapeño; serrano; habanero; ancho; tabasco; pimenta tailandesa; coreana; páprica húngara; espanhola; dos Bálcãs; marroquina; entre outras.

3) Qual o seu valor nutricional?

Resposta: O seu valor nutricional é relativamente alto por conter boas fontes de vitaminas, principalmente A e C. A pimenta apresenta ainda cálcio, ferro, caroteno, tiamina, niacina, riboflavina e fibras. Ela é um alimento hipocalórico, com aproximadamente 36,6 calorias a cada 100g. Em cinco unidades do alimento encontram-se 1,24g de proteínas e 7g de carboidratos.

4) Quais os seus benefícios?

Resposta: É rica em vitamina A, B1, B2, B3, C e E; possui seis vezes mais vitamina C do que a laranja; possui flavonóides; auxilia na congestão nasal; tem potencial cicatrizante de feridas; provoca a dissolução de muco dos pulmões; é antioxidante, antiinflamatória e antienvelhecimento; ajuda na dissolução de coágulos sangüíneos e previne a arteriosclerose, os enfartes e os derrames cerebrais por ser vasodilatadora; é bactericida; previne hemorragias; ajuda a regular o colesterol; aumenta a resistência física e possui propriedades analgésicas e energéticas.

5) Pimenta nos deixa feliz?

Resposta: A capsaicina e a piperina também influenciam a liberação de endorfina no cérebro, um neurotransmissor que provoca sensação de felicidade e bem-estar. Isso acontece porque, quando ingerimos um alimento apimentado, são ativados receptores sensíveis na língua e na boca. Esses receptores transmitem ao cérebro uma mensagem básica: a de que a boca está pegando fogo. E essa informação gera imediatamente uma resposta do cérebro, que é de iniciar a produção de endorfina no organismo para tentar minimizar ou apagar esse incêndio. A liberação da endorfina é que provoca a sensação de bem-estar e um estado de consciência muito agradável. Estudos comprovaram que quanto mais ardida for a pimenta, mais endorfina será produzida.

6) Pimenta melhora a digestão?

Resposta: As substâncias picantes das pimentas (capsaicina e piperina) melhoram a digestão, pois estimulam as secreções do estômago; possuem efeito antiflatulência; estimulam a circulação no estômago e favorecem a cicatrização de feridas (úlceras).

7) Pimenta ajuda no emagrecimento?

Resposta: Embora surpreendente, pesquisas científicas mostraram que o uso da pimenta vermelha durante as refeições proporciona um aumento da liberação adrenalina e noradrenalina no sistema nervoso. Com isso, há uma diminuição do apetite e da ingestão calórica. A pimenta também acelera o metabolismo e, assim, faz com que se queimem mais calorias. Isso ocorre porque os capsaicinóides, as substâncias responsáveis pelo ardor do alimento, elevam a temperatura corporal. E para o organismo manter a média de 36,5ºC (considerada a temperatura normal), o corpo consumirá energia.

8) Existem contra-indicações?

Resposta: Assim como qualquer alimento, nem todas as pessoas podem consumir a pimenta. Os indivíduos com hipertensão ou com problemas gastrintestinais, como gastrite, úlcera, hemorróidas, fissuras ou lesões devem evitá-la, uma vez que a capsaicina funciona como um agente agressor das mucosas. A pimenta não causa esses problemas, mas pode agravá-los.

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Para quem ama aquele gostinho ardido da pimenta, uma boa notícia: ela pode sim ser ingerida diariamente, nas principais refeições. Mas é preciso maneirar na quantidade para que o prazer não passe a ser um transtorno. Afinal, quando consumida em quantidades exageradas, a pimenta ativa os receptores na língua que fazem com que a pessoa perca a sensibilidade e, conseqüentemente, coma mais sem perceber. Além disso, a capsaicina em excesso pode destruir esses sensores e afetar o paladar. Portanto, bom senso também é fundamental!

Um abraço e até o próximo domingo.

Daniela Hueb

Médica nutróloga e pós-graduada em dermatologia estética - CRM-SP 96.027.

Envie suas dúvidas para e-mail:danielahueb@jcnet.com.br

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