Ser

Personal ‘tudo’

Daiana Dalfito
| Tempo de leitura: 7 min

Vida moderna. As pessoas trabalham como nunca e se dedicam às suas tarefas com cuidado. O “eu” se confunde com o trabalho e deixa de lado hábitos, antes comuns, como as atividades coletivas. Aí, no meio deste turbilhão, surgem os “personals”, prestadores de serviço que cuidam dos interesses individuais de seus clientes.

Há bem pouco tempo, apenas ouvíamos falar em “personal trainer”, mas a gama de profissionais que oferecem atendimento especializado e individual cresceu: stylist, instructor, organizer, shopping e martial arts fazem parte da gama de possibilidades.

Para a socióloga Marilene Cabello Di Flora, a explosão dos serviços prestados em casa e individualmente é um reflexo da economia atual. “A partir da metade do século 20, o trabalho coletivo foi sendo substituído pelo trabalho ‘em células’, com ênfase na pessoa. Esse modelo ‘toyotista’ é impulsionado pela revolução tecnológica e pela informática”, explica.

De acordo com a sociologia, hoje, tudo recai sobre o “eu”, tudo se concentra na figura da pessoa, mesmo que esse reconhecimento do valor do ser humano nem sempre seja real. Mas vamos aos fatos. Os “personal” existem e são bons prestadores de serviços, em todos os casos o lema é unânime: “Menos tempo, mais resultados e tudo de acordo com as necessidades de cada um”. Porém, para ter um “personal” há que se ter dinheiro. Os serviços podem custar de R$ 30,00 a R$ 150,00 a hora, fato que transforma os serviços individualizados exclusividade das classes média e alta.

Quanto aos nomes, sempre em inglês, a origem é a terra do Tio Sam, berço dos atendimentos individuais que romperam a barreira das salas de musculação e escolas de idiomas convencionais. Atualmente, esses “personals” estão em todas as áreas pensáveis, até o tradicional burburinho dos salões de cabeleireiros deixou de ser “interessante” aos clientes. Os profissionais do corte, assim como manicures, fisioterapeutas, médicos, massagistas levam seus préstimos ao conforto do lar de seus fregueses.

Aos que trazem o título de “personal”, aí vão alguns para que você, leitor, conheça um pouco do trabalho desta é que uma das áreas entre os serviços que mais cresce em todo o mundo.

____________________

Personal trainer

É o mais conhecido dos serviços personalizados. O tratamento é individualizado para atender os desejos de corpos esculturais, promover o emagrecimento ou simplesmente melhorar o condicionamento físico dos alunos com exercícios. “A principal diferença é a atenção dada a pessoa durante o treino. Em uma sala de musculação convencional é difícil acompanhar os exercícios de perto”, conta Gislaine Gonçalves da Silva, personal trainer.

Como o próprio nome diz, personal trainer é um treinador pessoal. A atenção à execução dos movimentos é acompanhada e o treinamento varia de acordo com a resposta corporal do aluno. Por outro lado, Gislaine afirma que o que auxilia os bons resultados é o compromisso que quem se exercita cria. “Sozinha a pessoa acaba desanimando e com data e hora marcada e vendo os resultados, a motivação aumenta e não há desistência”, completa.

____________________

Personal stylist

Para quem consegue deixar a casa em ordem, mas não o visual, o personal stylist entra em cena. “O consultor de imagem geralmente age em duas vertentes: o coaching executivo e o refinamento da ‘aparência’ social”, explica Odil Zepper, o Juba, personal stylist.

O serviço ajuda pessoas que precisam ou apenas querem se vestir melhor e passar uma imagem diferente no trabalho e círculo social. É uma questão de melhorar a auto-estima e, em alguns casos, de se adequar ao universo em que a pessoa vive. Tudo começa no papel: um questionário completo faz o diagnóstico social do cliente que quer ser ‘repaginado’.

Depois uma visita para o reconhecimento do guarda-roupa e a separação das peças por utilização, estilo, cores. Juba conta que quase sempre aproveita até 70% das roupas da pessoa que procurou sua ajuda. “Tem gente que tem muita roupa, só não sabe como combinar. Muitas peças ficam de uma estação para outra”, diz.

Para saber o que fica e o que é descartado, o personal stylist analisa o biotipo do atendido e mais uma separação é feita: o que favorece e o que “sabota” a imagem. Outro passo é a análise da coloração pessoal. “Você pode adorar vermelho cereja, mas ele pode salientar algo que não é bom para a sua figura. Sem acessórios e maquilagem, vou colocando as cores frente ao rosto e vejo como elas reagem com a pele e os traços” termina.

Por último, compras. “O bom é investir em peças neutras e inteligentes para mesclar. A sacada é comprar roupas com bons tecidos, mesmo que não sejam de grife”, afirma Juba. A roupa dialoga com o que a pessoa é e a boa imagem ajuda a melhorar a auto-estima, sentencia o stylist.

____________________

Personal martial arts

Com a liberdade da corruptela lingüística do termo “personal artes marciais”, os treinadores e professores das lutas orientais seguiram os passos dos “trainers”. “A idéia surgiu a partir de um aluno que não queria treinar em conjunto porque se sentia constrangido”, esclarece o instrutor de judô e jiu-jitsu Daelcy de Carvalho Jr., mais conhecido como Junior.

Esse embaraço para quem quer começar a lutar parece ser comum a pessoas que se julgam fora do peso, idade ou apenas inibidas em iniciar uma atividade junto com atletas “avançados” na técnica.

Segundo o professor de karatê Marco Antônio Simpriano, o Marco do Bauru Tênis Clube (BTC), assim como nos treinamentos de musculação, a dedicação e o retorno são mais rápidos e pronunciados, porém, nas artes marciais o aluno pode encontrar uma terapia. “A disciplina oriental vai além da luta, é um trabalho de autoconhecimento e descoberta que ajuda na administração da ansiedade e do estresse diários”, aponta Marco.

De acordo com o personal artes marciais Júnior, o treinamento individual é mais elaborado e dá margem ao trabalho dos pontos fracos do aluno, que com o tempo acaba se aproximando dos grupos de luta. “A freqüência ideal é de três vezes por semana, mas o local e o horário fica a critério do aluno. É possível fazer aulas iniciais em casa, com pouco exigência de equipamentos”, acrescenta Marco.

Esse mercado ligado às artes marciais em franco crescimento na Capital é novidade em Bauru. Aqui os maiores interessados são jovens adultos sem tempo de praticar esportes e com necessidades de aprender uma autodefesa ou melhorar o condicionamento físico.

____________________

Home organizer

Saindo da esfera esportiva, o organizer não traz o título “personal” para denominar todos os seus adeptos. O “home organizer” também pode ser encontrado no mercado sob os chamamentos “house organizer” ou “personal home”. Independente do nome, é inegável que esses “facilitadores” das atividades domésticas põem ordem na casa e na bagunça instalada no closet, na biblioteca, na cozinha, no escritório... de quem já não tem tempo para se dedicar ao cuidado do lar.

“A organização é prática e usual, a idéia é por tudo em ordem e manter dessa forma”, explica Ana de Castro, home organizer desde 2000. Segundo ela, apesar de usar algumas técnicas globais para arrumar um determinado cômodo ou mesmo a casa toda, cada domicílio tem sua rotina e uma “vida” própria.

“Ordeno tudo que é preciso e explico para os empregados a maneira como foi feito, mas nem sempre a organização se mantém por muito tempo. Se os moradores são preocupados com a manutenção da rotina doméstica, é mais fácil manter”, salienta Ana.

O organizer realmente faz a diferença, cada detalhe é pensado, como olhar o estado das roupas e como estão pregado os botões. “Por exemplo, um closet de homem, organizo por cores, dobro as camisas e calças todas do mesmo tamanho e disponho todas da mesma forma nos cabides e prateleiras. Mas não adianta nada eu organizar e deixar peças que não apresentam condições de uso ou precisam de reparos ali”, explica Ana.

Para organizar, ainda são usados acessórios como divisórias para as gavetas e até cofres, cabides idênticos e a inspiração na arrumação de lojas, mas com a funcionalidade que uma casa precisa. O serviço fica prático e bonito, com direito a dicas de objetos essenciais na lavanderia e cozinha para ajudar na manutenção da casa.

____________________

Personal instructor

Para fechar a nossa lista, o personal instructor sai das salas de aula convencionais para oferecer um ensino diferente de línguas para estrangeiros, em grande parte das vezes. “No caso de pessoas de outros países o aprendizado vai além do português, um acompanhamento rotineiro nos bancos, shoppings, feiras, hospitais e supermercados é parte do roteiro”, conta Thais Ramos, professora de inglês.

As aulas vão de acordo com as necessidades de cada aluno e sua rotina e dão a oportunidade dos estrangeiros entrarem em contato com a cultura e as diferenças de alimentação, serviços e costumes entre o Brasil e os países de onde vêm.

Comentários

Comentários