Eles ficaram próximos aos seus carros, atentos às reações de quem conferia a beleza das raridades. Os colecionadores, apaixonados por suas relíquias, participaram da exposição de carros antigos no estacionamento do supermercado Confiança Flex, realizada no final de semana. Entre os automóveis, um Romi-Isetta que pode ter pertencido ao Rei do Futebol, Pelé, e mais nove charmosos modelos das décadas de 1930 a 60. O evento, que integrou as comemorações dos 111 anos de Bauru, foi aberto na sexta-feira e seguiu até ontem, às 13h.
Modesto José Masson, 79 anos, tinha cinco carros de sua coleção na mostra. Entre eles, um Ford 1928 amarelo que comprou na década de 1940. “Desde os 18 anos, eu sou apaixonado por carros”, declara. “Admiro tudo num carro. Para mim, quanto mais antigo, mais valorizado ele é”, completa.
Os carros fizeram parte de sua história, inclusive de sua juventude, em Bariri. “Gostava de ir com esses carros aos bailes, todo mundo queria ir comigo. As namoradas... levava todas para passear, tanto que casei com uma delas”, recorda-se sorridente. Masson contratou um mecânico para fazer a manutenção de suas relíquias, mas, mesmo assim, não deixa de examinar os automóveis diariamente e ouvir o ronco do motor para verificar se estão funcionando. Ele também contratou um motorista para levar os carros às feiras. “Eu não deixava ninguém dirigir. Mas, agora que estou com quase 80 anos, não dá para sair à noite, por exemplo”, observa.
Ter ciúmes dos automóveis parece ser um sentimento comum entre os colecionadores. Isso, Leandro Berro Fernandes, 24 anos, deixa claro num adesivo que colou em seu fusca 1969, que tem a seguinte frase: “Carro antigo é igual a mulher de amigo, a gente só olha, mas não põe a mão”.
Todas as semanas, ele passa lustra-móveis para deixar a lataria verde bem brilhante, e, como um pai que cuida da pele de seu filho, lambuza os bancos de couro com óleo para bebês. “Pai não, quase isso”, pondera. “Ele é o meu xodó”, entrega-se.
O brilho do fusca 1969 se reflete no rosto de Leandro em forma de vaidade. “Por ser muito charmoso, onde eu vou com ele, chamo a atenção. Em todos os lugares que vou, as pessoas querem ver melhor, comprar”, conta. O “namoro” não corre risco de acabar, pois Leandro recusou uma proposta de R$18mil para vender seu “xodó”. “Eu não vendo, tive muito trabalho para garimpar e encontrar as peças”, relembra.
A iniciativa do evento partiu dos empresários da Galeria Flex, composta por cerca de 10 lojas especializadas em diferentes produtos, como acessórios femininos, tecnologia, medicamentos, beleza, cuidados para animais de estimação, manutenção e acessórios para automóveis, entre outros.
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O carro de Pelé
Um Romi-Isetta chamou a atenção durante a exposição do Clube de Carros Antigos de Bauru, no estacionamento do Confiança Flex. Pode ser que o carro tenha sido de um ilustre ex-morador de Bauru, o jogador Edson Arantes do Nascimento, o Pelé.
O colecionador José Carlos Tosi, 62 anos, conseguiu conquistar o Romi-Isetta 1958 depois de 15 anos de espera. “Vi esse carro estacionado em uma rua de Bauru há 35 anos. Procurei o dono, interessado em comprá-lo, mas ele não quis vender e contou que o carro havia sido do Pelé”, conta sobre a primeira tentativa de compra. “Quinze anos depois, ele ligou para mim, dizendo que estava bem conservado e iria vendê-lo. Quando fui vê-lo, estava afundando na terra”, recorda-se. Por ter trocado o fundo do veículo, que estava apodrecido, Tosi não pôde ver o número do chassi, que identificaria se era mesmo o ex-carro de Pelé. “A assessoria dele ligou para saber, mas eu não tenho o número. Ainda bem”, comemora.
A paixão por carros está no sangue da família Tosi. “Ele também vai ser um colecionador”, orgulha-se José Carlos, referindo-se ao neto, Matheus, 11 anos, que apesar de muito jovem, lembra-se das datas certas de fabricação. “O Romi-Isetta começou a ser fabricando em 1956”, afirma, com segurança.