Política

Ciesp pede consulta ao governo estadual

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Antes do trabalho de identificação do potencial de carga para transporte em terminal aeroviário é necessário levantar junto ao próprio governo do Estado quais os elementos que ele considera sobre o assunto, apontando indicadores como distâncias a serem consideradas, tipos de produto, potencial de carga e volume. Esta é a avaliação do diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Ricardo Coube, sobre a necessidade de estudo para apontar a demanda de carga para o aeroporto Moussa Tobias, uma das exigências que a Secretaria Estadual dos Transportes apontou para que o pedido avance na esfera governamental.

Para o empresário, o trabalho de mobilização política pela defesa da instalação do terminal de cargas no aeroporto Moussa Tobias é necessário e produtivo, mas houve cerca inversão na lógica da reivindicação. “Faltou agregar empresário e lideranças do setor como primeira estratégia para o fortalecimento da ação política, o que teria permitido indicar antes da audiência com a Secretaria Estadual dos Transportes o rumo que o governo dá para esse tema e quais as regras que ele considera”, comentou Ricardo Coube.

Entretanto, o diretor do Ciesp salienta que a “crítica é no sentido de confirmar que o perfil técnico do secretário Mauro Arce já poderia ter sido detectado, tanto que, na reunião com a comitiva, ele se ateve à necessidade de levantamento da demanda, o que está correto do ponto de vista técnico. E se a questão é de mercado, então precisamos envolver o setor industrial para levar dados consistentes e estritamente dentro do perfil desse tipo de negócio”, ampliou.

Para isso, Ricardo Coube sugere que a representação da comitiva, ainda na esfera política, identifique junto ao órgão estadual, quais os elementos que ele reconhece para o perfil da pesquisa. “É preciso antes de levantar a demanda, ver o que Estado considera como demanda, se real, se potencial em função da possibilidade do terminal de carga ser considerado, a que distância por tipo de produto, quais produtos são considerados, mesmo os perecíveis ou de valor agregado, para não corrermos o risco de fazer estudo de demanda com base em indicadores não utilizados”, ressaltou.

A partir desta identificação sobre o perfil da demanda considerada pelo Estado, o diretor do Ciesp salientou que a entidade está “à disposição e quer participar dessa mobilização, que é muito interessante e deve mesmo ser estendida. Houve apenas o erro tático, estratégico, de não incluir a representação empresarial desde a origem, o que identificaria esse rumo antes, mas o importante é ajustar o foco e trabalhar em cima disso”, acrescentou Coube.

Ele ponderou, que se os negócios com carne na área de influência do aeroporto se situarem no perfil, “não há como desconsiderar volumes de negócios que vão desde Lençóis Paulista a Lins e Bauru, mas passando por Araçatuba, porque a questão de demanda para esse tipo de negócio não é limitada à nossa área regional de abrangência somente”. Ao saber que o mercado de calçados foi comentado na reunião da comitiva política com o secretário Estadual, Mauro Arce, Ricardo Coube salientou, por exemplo, “que é preciso considerar sim, porque hoje os negócios não são favoráveis para o exterior por causa do câmbio, mas isso é circunstancial. Então, como não incluir o calçado se é questão apenas de câmbio, que era diferente da atual há algum tempo. Por isso, é preciso discutir com o Estado quais são os critérios, porque alguns são sazonais”, completou.

Demanda induzida

Para o diretor-adjunto da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Luiz Henrique Cardoso Patrício, a estratégia do governo estadual para definir a instalação mais apropriada de terminais de carga aeroviárias no Interior não pode ser conduzida somente com base na demanda concreta.

“É preciso ver o terminal de cargas como equipamento que gera oferta também após ser instalado. Considerar só o volume existente de negócios para definir se um terminal vai para esta ou aquela região é equívoco, porque se você tem fatores favoráveis como logística, localização e custo de implantação, você não pode eliminar o papel do Estado de decidir por investimentos em uma ou outra região para promover desenvolvimento e não só se ficar em cima de número real”, comentou.

Na avaliação de Patrício, o Estado deve interferir em decisões do gênero exatamente para diversificar os vetores de desenvolvimento regionais, fortalecendo mais de um mercado, e atendendo a mais de uma expectativa. “Se for olhar só a demanda existente de carga então tudo vai ficar na capital, mas é preciso olhar o fator demanda com mais abrangência, considerando o potencial de negócios a ser gerado e a demanda induzida que esse tipo de investimento, como o terminal de cargas, gera. Foi por isso que instalaram novo aeroporto, como indutor também”, finalizou.

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