Tribuna do Leitor

Débito automático


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Todos sabíamos que, mais cedo ou mais tarde, a conseqüências da atuação humana sobre o planeta viriam à tona. Somente não sabíamos em qual nível essa dívida seria sanada.

Antes, podia-se dizer que os cientistas faziam previsões sobre o futuro da Terra, os efeitos da voracidade do homem sobre o nosso lar, que seriam enfrentados pelas futuras gerações. Atualmente, porém, não se fala mais em previsões, mas sim em realidade.

O planeta está estressado por servir apenas como manancial de exploração e palco de destruição. Nós desmatamos, poluímos, contaminamos, construímos... Enfim, escravizamos. Quem disse que o planeta Terra é de uso exclusivamente humano, se, ao construirmos cidades, indústrias e fazendas, retiramos seus reais habitantes? Quem deu direito ao homem de destruir impecáveis ecossistemas em prol de benefícios, muitas vezes, individuais, sendo que, na realidade, aniquilamos nossa própria qualidade de vida ao desequilibrar uma cadeia? A engenharia humana comprovou-se ineficiente perante as condições planetárias.

E a dívida começa a ser debitada: furações ficaram mais devastadores, secas permanecem por mais tempo em determinadas regiões, a ameaça da irreversível devastação da Amazônia paira incessante, áreas costeiras começam a ser inundadas, geleiras derretem em crescente velocidade. A África, mesmo contribuindo com meros 3% das emissões de carbono na atmosfera, será, no geral, o continente mais atingido pelo aquecimento global, diminuindo suas já escassas áreas cultiváveis e aumentando a massa de miseráveis. Independente do que façamos, entramos num caminho sem volta. Agora, cabe ao ser humano apenas aceitar os fatos e rezar para que o pagamento não inclua a própria raça humana.

Wilian Luís Campesato - estudante

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