Política

OAB faz hoje ato cívico do ‘Cansei’

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Um minuto de silêncio, previsto para realizar-se hoje, às 13h, em todo o País, marcará o ápice do Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, o ‘Cansei’, que surgiu motivado pelo recente acidente com o avião da TAM no aeroporto de Congonhas, com a pretensão de ser uma espécie de “grito” da sociedade contra a corrupção, a impunidade e outras mazelas nacionais. Em Bauru, a mobilização de apoio ao ‘Cansei’ ocorrerá na subsecção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que abrirá a Casa do Advogado para que os interessados se dirijam ao local a fim de manifestar seu apoio à iniciativa.

O presidente da subsecção bauruense da OAB, Caio Augusto da Silva Santos, explicou que a mobilização começará a partir das 12h no local e que diversas entidades foram convidadas para participar do ato, que culminará com a realização, às 13h, do minuto de silêncio. “A entidade estará à disposição para quem quiser manifestar-se”, ressaltou Santos.

O líder da OAB bauruense também opinou sobre o movimento, que tem alimentado enorme polêmica no País. Enquanto entidades não-governamentais, artistas e profissionais liberais abraçam a idéia do ‘Cansei’, militantes de organizações sociais, simpatizantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e intelectuais o qualificam de “elitista”. “Trata-se de uma iniciativa que não tem qualquer objetivo político-partidário. Sua intenção é a de despertar a população para manter uma consciência continuada, e não episódica, sobre os problemas que afligem a nação”, sustentou o advogado.

A OAB apoia o movimento em nível nacional e também participará do ato público do movimento, na Capital paulista, em frente à Catedral da Sé, quando o presidente da OAB SP, Luiz Flávio Borges D´Urso, fará uma breve explanação sobre o ‘Cansei’ antes da realização do “Minuto de Silêncio pelo Brasil”.

Na seqüência, no mesmo evento, ocorrerá um culto ecumênico com a presença de cinco celebrantes de diferentes religiões, seguindo-se com a execução do Hino Nacional puxado pelos cantores Ivete Sangalo e Agnaldo Rayol. “Quem não puder estar presente, deve fazer um minuto de silêncio onde estiver, como forma de prestar uma homenagem póstuma às vítimas, não só aquelas do acidente do Airbus, mas às vítimas da violência nas cidades brasileiras e nas estradas em todo o País. Também será uma forma do cidadão mostrar sua indignação frente aos problemas nacionais”, ressaltou D´Urso.

Em recente entrevista ao JC, D´Urso destacou que o movimento criou um conceito que traduz o sentimento da população nacional sobre o momento do País. “Esse sentimento vai se aglutinando ao longo de um bom tempo, mas o caos aéreo e o acidente da TAM contribuíram para a deflagração do movimento nesta primeira etapa. Já em uma segunda etapa o objetivo é fazer que o movimento seja o canal permanente de diálogo e interlocução com os governos federal, estadual e municipal buscando a contribuição das forças vivas da sociedade para enfrentarmos estes problemas juntos, população e governo, no princípio da democracia participativa”, salientou.

D´Urso também rechaçou a hipótese de que o movimento tenha características elitistas. “Esta história de golpismo, de elites, classifico como bobagens que foram lançadas e que não têm a mínima procedência. Uma das premissas da OAB é o fortalecimento das instituições, e não o combate a elas. Portanto, tenho absoluta convicção que com estes dias que se sucedem, as confusões serão dirimidas para separar o nosso movimento dos outros. O nosso é bem pautado, bem objetivado, vamos continuar nesta linha, contribuindo com o Brasil”, concluiu.

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