O 35.º Festival de Cinema de Gramado termina hoje, com o anúncio dos vencedores das competições entre longas-metragens (brasileiros e estrangeiros) e curtas em 35 mm, que recebem o troféu Kikito. Iniciada no último domingo, a competição entre os seis longas brasileiros teve reação predominantemente morna da platéia, que registrou significativo número de lugares vazios em todas as noites.
Houve problemas técnicos nas projeções de três filmes. Apenas o documentário “Condor”, de Roberto Mader, exibido na quarta-feira, arrancou aplausos mais entusiasmados do público. O filme trata da cooperação entre as ditaduras militares do Cone Sul na repressão à resistência civil e de sua conexão com a CIA, a agência de inteligência norte-americana.
Mader apresentou a sessão acompanhado da socióloga uruguaia Lilian Celiberti, presa em Porto Alegre, em 1978, numa ação conjunta das polícias brasileira e uruguaia, cuja história é abordada no filme. O diretor disse que “gostaria que o filme ajudasse o pessoal mais jovem a conhecer melhor o que se passou naquela épo- ca” e também a “conscientizar a sociedade, em especial o governo brasileiro, da necessidade de liberar os arquivos” daquele período.
Entre os concorrentes internacionais (cinco, no total), teve calorosa acolhida a co-produção entre Uruguai e Brasil “El Baño del Papa” (o banheiro do papa), dirigida por Enrique Fernández e César Charlone, fotógrafo de “Cidade de Deus”.