Tinha tudo para ser um crime cinematográfico, mas o artista principal não soube desempenhar bem o seu papel. Encontrado amarrado e amordaçado dentro da imobiliária onde fazia segurança, um vigia com registro oficial para o desempenho da profissão não conteve o nervosismo e acabou confessando à polícia que, ao invés de vítima, era ladrão.
Sempre de acordo com a Polícia Militar (PM), a história se passou na quadra 30 da rua Rio Branco. Por volta das 2h30 de ontem, a Base Sul foi acionada pelo Copom e uma equipe compareceu ao local, onde supostamente teria ocorrido um assalto com vítima imobilizada pelos ladrões. Ao chegar na imobiliária, os policiais se depararam com um vigia bastante nervoso. Ao mesmo tempo, a cena do crime, muito revirada, dava indícios de que a sala havia sido preparada.
Diante da cena, os policiais resolveram fazer uma bateria de perguntas. Como resultado, o nervoso vigia, Luiz Henrique Berbel, de 20 anos, caiu em contradição várias vezes e não conseguiu manter a história formulada. Ele confessou que se tratava de um roubo forjado planejado por ele e mais um comparsa.
Após a revelação, a Polícia Militar conseguiu que o rapaz indicasse o paradeiro das mercadorias (quatro computadores completos com monitores de LCD, duas impressoras, celulares, máquinas fotográficas digitais, cafeteira, bebedouro e outros objetos). Uma casa na quadra 4 da rua Cabo Henrique Ivano Kammervorak, na Vila Nova Esperança.
Ao chegarem no endereço, os policiais encontraram Fernando Justino Caçador, 34 anos, em frente ao imóvel. No interior da residência estavam quase todos os equipamentos levados da imobiliária, com exceção de um computador.
Numa reação em cadeia, o comparsa revelou que já havia deixado o equipamento na posse de um receptador, frentista de um posto de gasolina na confluência das ruas Joaquim da Silva Martha e 13 de Maio. No local, foi detido Luiz Antônio Ruiz, também de 34 anos, que realmente estava com o computador.
Todos os envolvidos foram encaminhados ao Plantão Policial. Berbel e Caçador foram autuados por furto qualificado. Já Ruiz, por receptação de produtos de furto. Todos foram encaminhados à cadeia pública de Avaí, onde ficam à disposição da Justiça.
Um detalhe interessante em toda a história é que Berbel foi contratado para fazer a segurança da loja apenas durante o final de semana, pois na sexta-feira o estabelecimento havia sido assaltado. “O ladrão forçou um vitrô e na hora de pular na loja, quebrou um dos vidros grandes da entrada”, conta o pai do proprietário, cujo nome será mantido em sigilo. Na oportunidade, foram subtraídas duas impressoras.
Como o vidro quebrado é feito sob medida, os proprietários da imobiliária resolveram contratar um vigia noturno para que não sofressem mais nenhum prejuízo. “Sábado, entramos em contato com o guarda que faz a ronda noturna nas ruas da região, que ficou de arrumar um colega para ficar durante 24 horas na loja”, conta. “Nunca imaginamos que poderia acontecer isso”, completa.
O homem destaca a atuação da polícia e descreve a sensação de ser assaltado pelo homem responsável em fazer exatamente sua segurança. “Nunca tínhamos passado por uma coisa dessa. Você se sente totalmente impotente, desolado, sem saber o que fazer”, descreve.
“Tenho que destacar a presteza da PM, que resolveu a questão em poucas horas. Não tem dinheiro que pague a recuperação dos equipamentos. Todo o nosso trabalho estava naqueles computadores”, completa.