Pós revolução sexual e feminismo exacerbado, a união matrimonial passou do estigma de estabilidade para a situação da mulher e tornou-se a responsável por suas amarras sociais.
A partir da década de 60, o sexo feminino tomou as rédeas de seu corpo. Conquistou o mercado de trabalho. Rebelou-se contra a autoridade paterna. Negou as “instituições arcaicas”. E, com tudo isso, teceu um caminho solitário.
O reflexo de toda essa liberdade está espelhado nos filhos de hoje. Produções independentes da hipotética família perfeita. Sofredores do falso moralismo do casamento, arcantes com as conseqüências da individualização dos pais. E sobreviventes das uniões instáveis.
Paralelamente, o diálogo justificativo da procura de uma parceria por afinidades, respeito e sexo satisfatório. O bombardeio midiático pela busca do prazer, a infantilização das pessoas em resolver problemas e a ausência de exemplares de uniões estáveis estão gestando novas gerações que aprendem cada vez menos a superar as dificuldades de um relacionamento e enfrentar as diferenças entre o casal.
Casar não se tornou necessário para a prática sexual. A família não é mais pré-requisito para se ter uma casa e filhos.
Nas propagandas, a pessoa bem-sucedida possui emprego estável, o carro do ano, se veste na última moda, tem vários amigos, é carismática, charmosa, sedutora e mais: possui uma vida sexual ativa e com múltiplos parceiros.
As novelas mostram atores sarados “transando” com várias atrizes gostosas. As revistas de fofoca faturam expondo os casamentos e divórcios relâmpagos das celebridades. O casamento é defendido por conservadores, moralistas e religiosos. “Chatos” que não chegam a dar credibilidade à instituição, atingindo um número reduzido de pessoas.
Tudo isso tornou o enlace matrimonial o maior fracasso do final do século 20 e início do 21, a bandeira de prisão do indivíduo e o homicida do amor. Definitivamente, casar não se tornou preciso!
Mariana Novelli Hardman - estudante