A absolvição do senador Renan Calheiros, em sessão secreta realizada na última quarta-feira, dia 12, foi mais um gesto de agressão ao povo brasileiro, que esperava uma resposta do Senado à altura de sua indignação. O resultado da votação, porém, provocou profundo desapontamento e decepção naqueles que acreditavam na cassação por quebra de decoro parlamentar após três meses de mais uma crise institucional.
Com certeza o resultado desta votação (35 senadores votaram pela cassação, 40 pela absolvição e seis se abstiveram) é péssimo para a imagem do Senado e a crise que ronda a instituição deve continuar com a permanência de Renan Calheiros no posto mais alto da Casa. Sua absolvição é resultado da promiscuidade da relação do governo com o Congresso Nacional, na qual não existe mais nenhuma noção de lealdade, de caráter ou de independência e respeito.
O placar pró-Renan deixa clara uma articulação envolvendo o presidente Lula e o PT, uma vez que os votos de parlamentares petistas foram determinantes para livrar o senador da cassação. Enquanto o primeiro fez, o tempo todo, uma série de afagos ao presidente do Senado, a liderança petista na Casa liberou a bancada para votar com a “consciência”, a mesma que demonstraram nas votações dos processos de cassação dos mensaleiros na Câmara dos Deputados.
Infelizmente a última quarta-feira foi mais um dia daqueles em que sentimos vergonha nacional, pois a absolvição do senador Renan Calheiros é um escárnio com a população. Ele (Renan) está sorrindo, mas deveria responder pelo crime de lesa-pátria. Foi salvo pelo voto secreto, num julgamento de portas trancadas, quando o voto aberto é uma necessidade imperiosa para garantir a transparência da democracia no País.
O Brasil transformou-se em um mar de maus políticos, que causa repulsa aos homens decentes do País. O presidente Lula e o PT devem uma satisfação à Nação. Um partido e um presidente que defendem e apóiam a corrupção devem explicar os motivos, mesmo que dificilmente sejam explicáveis. Os brasileiros desta vez não vão acreditar. Nós, políticos e parlamentares, talvez vamos sangrar juntos, mas os que mais vão sangrar serão as pessoas e as siglas que apóiam este governo corrupto.
O autor, Pedro Tobias, é deputado estadual pelo PSDB