Washington - O líder da rede Al-Qaeda no Iraque, Abu Omar al Baghdadi, ofereceu ontem US$ 100 mil para quem assassinar um artista sueco que fez desenhos considerados ofensivos ao profeta Maomé. O líder terrorista também prometeu US$ 50 mil para quem matar o editor do jornal sueco que reproduziu os desenhos e ameaçou atacar grandes companhias suecas.
O diário sueco “Nerikes Allehanda” decidiu publicar desenhos de Lars Vilks que retratam Maomé com o corpo de um cachorro depois que várias galerias de arte da Suécia se recusaram a expor o trabalho do artista no mês passado. Junto com as imagens publicou um editorial em que defendeu a liberdade de expressão e criticou a autocensura.
“A partir de agora anunciamos a exortação para que se derrame o sangue do Lars que ousou insultar nosso profeta (...) E, durante este mês munificente, anunciamos uma recompensa no valor de US$ 100 mil para a pessoa que matar esse criminoso infiel”, disse Al Baghdadi em gravação difundida por um site islâmico.
“A recompensa será aumentada para US$ 150 mil se ele for morto como um cordeiro”, diz o terrorista num dos 31 minutos da gravação. “Sabemos como forçá-los a se desculpar-se, e, se não o fizerem, podem esperar por nossos ataques à sua economia e a empresas gigantes como Ericsson, Volvo, Ikea...”, acrescentou.
O governo sueco disse que não comentaria as ameaças, que considerou “assunto de polícia”.
Protestos
Países islâmicos, incluindo o Irã e o Paquistão, protestaram contra a publicação dos desenhos, no último dia 27 de agosto. O Irã chegou a convocar o encarregado de negócios da embaixada sueca em Teerã para reclamar.
Muçulmanos acreditam que é proibido fazer imagens do profeta e consideram o cão um animal impuro.
O Conselho Islâmico da Suécia rejeitou as ameaças de Al Baghdadi. Divulgou uma nota em que afirma repudiar e condenar ameaças contra indivíduos e instituições da Suécia.
No ano passado, muçulmanos lançaram uma onda de protestos em todo o mundo depois que um jornal dinamarquês publicou charges consideradas insultuosas ao profeta Maomé. Vários jornais do mundo reproduziram as imagens.