“Garoa. Voa. Soa. Soa a brisa, voa o pássaro. Garoa fina, lagoa doce. O silêncio, a brisa, garoa, e o eco da natureza. Som, som, som.” Com esta poesia, Giovana Campos de Oliveira encerrou a entrevista que concedeu ao JC. Ela tem apenas 14 anos, mas já acumula poemas e trovas que começou a escrever quando tinha apenas 10.
Giovana ainda não tem livros publicados, diz que ainda é cedo para pensar nisso, e mantém os pés no chão, mas o fato de não ter seus poemas e trovas nas livrarias não tira o brilho desta aluna da Emef Santa Maria. “Tenho muitos degraus ainda para subir”, diz.
Para se ter uma idéia, a moradora do bairro José Regino participa de dois importantes grupos ligados à literatura em Bauru, a União Brasileira dos Trovadores (UBT) e o grupo Expressão Poética. Na UBT, Giovana está desde os 11 anos e é a caçula do grupo, mas nem por isso ela se sente deslocada. Pelo contrário, os membros da União “adotaram” a poeta como neta.
O mundo da poesia foi apresentado à estudante por uma professora, quando estava na 4a série. Mesmo gostando de ler, incentivada pela família, a poeta ainda não conhecia as trovas. Quando foi apresentada a elas, não largou mais. Na mesma época, se destacou nas declamações em sala de aula, o que a transformou na declamadora oficial da escola.
A família, segundo ela, teve participação fundamental no crescimento como poeta e trovadora. “Graças a Deus, tenho uma família que me apoia, sempre me incentivou, a mim e a minha irmã, a ler, e isso é importante demais”, conta.
Na escola, tirando os que a consideram “CDF”, a relação é excelente com todos. O fato de ficar sempre em evidência garantiu a Giovana um status entre os alunos. “Muitas vezes as pessoas me conhecem, mas eu não as conheço. Às vezes eles têm alguma dúvida sobre poesia e trova, e vêm me procurar, eu acho muito legal”, afirma.
Além do talento, Giovana se mostra uma pessoa dedicada a ensinar a trova aos colegas, e para quem quiser aprender. A equipe do JC teve uma aula sobre o assunto. “A poesia é livre e precisa ter sentimento. A trova é mais específica. Tem que resumir toda sua idéia que você colocaria em um poema enorme, em quatro linhas. A primeira linha tem que rimar com a terceira, e a segunda com a quarta. E tem que contar sete sílabas por som, contando as sílabas tônicas”, ensina.
Vida de poeta e trovadora não é fácil. Giovana conta que várias vezes já pediram para que fiszesse um poema ou trova de amor para algum menino ou menina. “Às vezes, eles pedem para eu mostrar como se faz, porque eles querem escrever ou pedem para mostrar um poema romântico”, conta.
Como todo artista, a estudante tem suas influências e seus autores favoritos. Na lista estão Mário Quintana, Machado de Assis, Fernando Pessoa, Graciliano Ramos, Cecília Meireles, Cora Coralina. Entre os trovadores, Helvécio de Barros, um grande trovador de Bauru, Nidoval Reis e, é claro, os amigos da UBT, João Batista Xavier de Oliveira, Erci Maria Marques de Faria, Antonio Valentim Rufato, Celinha Martins e outros. “Não precisa ser conhecido, mas para fazer uma trova precisa de inspiração, e eles têm de sobra. A gente se encanta”, afirma.
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Infância perdida
Na primeira semana,
O menino roubou um real de seu amigo.
E ele não disse nada.
Na segunda semana,
O menino roubou cem reais de um velhinho.
E como ninguém disse nada,
O velho não disse nada.
Passaram-se três anos:
O menino invadiu o banco,
Ameaçou as pessoas,
Matou um policial,
Arrancou a liberdade das pessoas de saírem para passear.
E como a sociedade não fez nada...
...nada a justiça fez...
Giovana Campos de Oliveira
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Abraço
Muitas coisas precisando,
mas é por necessidade.
E aos carentes bastando,
um abraço de verdade.
Giovana Campos de Oliveira