Esportes

Comunicação esportiva: Futebol-empresa é destaque no 1º dia

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 3 min

O professor Marcelo Weishaupt Proni, do Instituto de Economia da Unicamp, abriu ontem à noite o II Seminário de Comunicação Esportiva, na Unesp de Bauru, com a palestra “Futebol e Globalização, desafios do futebol-empresa no Brasil”.

Durante sua explanação, Proni traçou um panorama dos modelos e estratégias adotados pelos clubes europeus em busca de aumentar a arrecadação e adquirir autonomia capaz de proporcionar uma rentabilidade efetiva financeira e esportiva.

Segundo o palestrante, a partir do momento em que se entende o que ocorre na Europa, principal mercado do futebol no mundo, é possível fazer um parâmetro para a realidade brasileira. Outros fatores que influem decisivamente no mercado do futebol no Brasil elencados por Proni são a Lei Zico e Lei Pelé, que mudaram a relação atleta/clube, a conjuntura econômica do País, além da atuação de sindicatos de atletas e patrocinadores.

Proni afirmou que, a partir dos anos 80, houve uma profunda transformação no esporte, que passou a ser considerado como fonte de lucro. “Grandes investidores passam a ver o esporte, principalmente o futebol, como um grande negócio”, revelou.

Para explorar ao máximo a tendência, os clubes europeus adotaram uma gestão empresarial. Proni cita o exemplo do Manchester United, que foi um dos pioneiros a abrir seu capital na Bolsa de Valores. “Capitalismo é risco. Quando o clube coloca ações na bolsa pode ter grande lucro, mas também pode perder em momentos de turbulência”, alertou, lembrando do caso da Lazio, da Itália, que acumulou perdas ao tentar seguir do exemplo do Manchester. “Futebol-empresa é um negócio meio complicado, é muito arriscado quando não bem feito.”

Proni ainda lembrou que o mercado do futebol tem regras diferentes. “No mercado, as empresas crescem e podem eliminar ou se fundir com concorrentes. No futebol, a ‘empresa’ depende das outras. Para um campeonato funcionar não adianta ter só uma equipe boa.”

Brasil

No Brasil, de acordo com Proni, a defasagem da estrutura profissional, agravada pela situação econômica do País, o baixo poder de consumo, precária organização administrativa e a instabilidade de receitas a longo prazo, impede a adoção de modelos idênticos aos da Europa. “Uma equipe não pode falir, mas uma empresa pode”, ressaltou. Assim, um dos modelos predominantes no País foi o das parcerias, o que predominou durante toda da década de 90.

Paralelamente a isso, houve um momento de euforia com a implantação do Real, quando os clubes chegaram a pagar salários em dólar e pensou-se que os clubes brasileiros poderiam competir com os europeus em contratações.

Segundo Proni, neste contexto foi elaborada a Lei Pelé, que instituiu o final do passe na relação clube/atleta e abriu a perspectiva para os clubes se tornarem empresas. “Após 1999, com a desvalorização do Real, ficou evidente que a transição para o futebol empresa não podia ser produzida pela força da lei”, comentou.

Po volta de 2000, a desistência das parcerias, associada à crise econômica do País e ao estreitamento do mercado europeu, levou à pior crise do futebol brasileiro, na visão do palestrante.

A partir de 2004, há uma recuperação gradativa e, segundo, Proni, a boa organização do Campeonato Brasileiro tem contribuído. O palestrante citou ainda a Lotomania como alternativa para equacionar as dívidas do clubes brasileiros.

A parceria com fundos de investimentos, modelo também adotado no Brasil, também foi abordada por Proni. “O caso MSI/Corinthians é um exemplo de que a adoção de uma lógica mercantil nem sempre implica em transparência”, concluiu.

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Programação

O II Seminário de Comunicação Esportiva segue hoje. A programação prevê uma Sessão de Comunicações, a partir das 9h. Às 14h30, será realizada uma mesa-redonda com o tema “Panorama financeiro dos clubes de futebol no Interior paulista”, com os convidados Rafael Antônio Mainini (TV Preve) e Walter Lisboa (Rádio Unesp). Às 19h30, haverá a segunda mesa-redonda do dia com os expositores Anderson Gurgel (Unisa) e Tacyanie Cajueiro dos Santos (ECA-USP) sobre o tema “Futebol e mercado de trabalho/Futebol como mega-evento”.

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