La Paz - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, agradeceu a Deus a oportunidade de “estar junto ao meu querido irmão (presidente da Bolívia) Evo Morales”, ao iniciar ontem uma visita de seis horas à Bolívia.
Ahmadinejad e Morales ressaltaram o direito dos países desenvolverem energia nuclear com fins pacíficos. A menção está no oitavo parágrafo da Declaração Conjunta assinada por Morales e Ahmadinejad.
Os Estados Unidos acusam o Irã de desenvolver um programa nuclear com fins militares, acusação que Ahmadinejad nega. O iraniano afirma que tal política possui fins energéticos.
Nesta semana, o presidente iraniano casou polêmica nos EUA ao negar a existência de homossexuais em seu país na Universidade Columbia e com seu discurso na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas.
A declaração de hoje destaca também três memorandos sobre hidrocarbonetos, minérios, indústria, agricultura, construção civil e cultura.
Seu anfitrião qualificou a visita como “um encontro histórico de duas nações e dois povos”, que marcará “o início de uma etapa de cooperação e respeito mútuo”.
O presidente iraniano destacou que o início das relações diplomáticas “entre dois governos e dois países amigos” será traduzido em um processo “de mútuo benefício e respeito”, após declarar se sentir “como em minha casa, entre meus amigos e compatriotas”.
O presidente iraniano chegou às 11h45, após ter passado por Santa Cruz, onde realizou uma escala técnica. Foi recebido no aeroporto de El Alto por Morales e com honras militares. Depois de uma breve saudação, os dois governantes foram para a sede do governo, onde esperava-os uma manifestação de partidários ao governo com cartazes de boas-vindas e bandeiras da Bolívia, entre as quais destacavam-se duas venezuelanas. Efetivos de elite da polícia e do exército montaram um estrito sistema de segurança nas imediações dos aeroportos de Santa Cruz e El Alto.
O encontro entre Ahmadinejad e Morales foi precedido por uma forte polêmica entre o governo e os partidos de oposição, que expressaram o temor de uma exploração conjunta do urânio do país com o Irã.