Depois dos atentados terroristas contra as torres gêmeas do World Trade Center, em setembro de 2001, a procura por intercâmbios de estudo nos Estados Unidos teve uma queda. Mesmo assim o país ainda continua sendo o principal destino dos estudantes que querem aprender de forma fluente uma segunda língua.
“Dez anos atrás só se falava em ir para os Estados Unidos. Após o 11 de Setembro, a procura diminuiu bastante”, conta Alonso Campoi, dirigente do programa de intercâmbios do Rotary Club de Bauru. Segundo ele, enquanto diminuía o interesse pelos Estados Unidos, aumentava a procura por países da Europa, como Alemanha, França e Suécia. Mas como a língua inglesa é a mais cobiçada pelos estudantes, Estados Unidos e Austrália ainda são grandes parceiros do Rotary.
De acordo com Adriana Maria Silva Carmo, proprietária de uma agência de intercâmbios em Bauru, os Estados Unidos são o destino de cerca de 70% dos intercambistas enviados por ela. Em segundo lugar fica a Austrália, seguida do Canadá. Aqueles que querem falar o espanhol fluentemente preferem a Argentina, Espanha e Chile, respectivamente.
Segundo a consultora de viagens Ana Inácio, na agência onde ela trabalha há uma grande procura por intercâmbios no Canadá, por ser mais barato, cerca de US$ 1,2 mil (R$ 2,4 mil) sem as passagens, e por ser mais fácil de obter o visto de entrada para aquele país.
Mas não é só de Estados Unidos que vivem os intercâmbios. Eles são bem mais abrangentes que isso. O estudante Victor Miziara, 23 anos, por exemplo, está em Aachen, município de aproximadamente 250 mil habitantes, que fica na região oeste da Alemanha.
Ele está lá desde abril último para um intercâmbio de um ano entre Institutos de Pesquisas Tecnológicas (IPTs) de universidades alemãs e brasileiras. Miziara cursa engenharia mecânica na Universidade de Santa Catarina e está participando de uma espécie de estágio não remunerado.
Se surgir uma oportunidade de trabalho na Alemanha, o jovem não vê problema nenhum em voltar para aquele país, segundo revelou o pai dele, o advogado Olival Miziara. Mas, primeiro, o filho terá de voltar para o Brasil e terminar a faculdade.
De acordo com o advogado, antes de viajar para a Aachen, o filho fez dois anos de alemão e continua estudando a língua, mesmo já estando na Alemanha. “Falar alemão não é fácil, imagina então se for uma linguagem mais técnica”, compara o pai, que já está de viagem marcada para visitar o filho nas festas de fim de ano.
“Para Victor, (esse intercâmbio universitário) está sendo uma realização. A bagagem profissional que ele vai adquirir com essa experiência será muito importante para prepará-lo para o mercado de trabalho”, prevê o advogado.