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Bolo de 250 quilos faz alegria de crianças no Parque São Geraldo

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Cerca de 100 crianças do Parque São Geraldo tiveram ontem um dia diferente. Foi um domingo de formiga, cercado de doces por todos os lados. Além das balas, pirulitos, guaraná, saquinho surpresa, havia também um bolo de 250 quilos. Os pequenos, assim como os grandes, comeram quantos pedaços quiseram ou puderam. O que sobrasse do bolo seria enviado a um orfanato da cidade.

A festa faz parte das comemorações do Dia de São Cosme e Damião, celebrado na última quinta-feira. A homenagem virou tradição no bairro. Ela é realizada há cerca de 18 anos como pagamento de uma promessa feita por Estefano de Exumaré, 38 anos, pai espiritual do Templo Espírita de Umbanda Caboclo Ubirajara Flecheiro. Ao ser curado de um problema de saúde, ele prometeu aos irmãos Cosme e Damião (santos supostamente responsáveis por sua recuperação), que enquanto vivesse, faria festa todos os anos para as crianças. E assim tem sido feito.

Segundo Estefano, todos os doces oferecidos na festa foram doados por devotos de São Cosme e Damião e por outras pessoas da comunidade. De acordo com ele, a festa poderia beneficiar mais crianças se não fosse o preconceito que ainda afeta os seguidores e eventos realizados pelos templos de umbanda.

Além da festa em homenagem a São Cosme e Damião, o Templo de Umbanda Caboclo Ubirajara Flecheiro realiza ainda cerimônias natalinas e está prestes a recomeçar a distribuição de sopas em algumas favelas da cidade.

Pessoas interessadas em colaborar com os projetos podem entrar em contato pelo telefone (14) 3237-1339. Como todo bom espírita, Estefano diz que seu objetivo com a festa para as crianças é a caridade. Formado em pedagogia, ele diz ter largado tudo para se dedicar em tempo integral ao espiritismo. Estefano diz estar plenamente satisfeito com a escolha. As crianças do Parque São Geraldo agradecem.

História

Nascidos na Arábia por volta do século 3, os gêmeos Cosme e Damião eram filhos de uma família nobre. Eles ficaram conhecidos por exercer a medicina sem cobrar nada dos pacientes. As pregações teriam chamado a atenção do imperador romano Diocleciano, que os perseguiu, torturou e matou, sob alegação de que estariam praticando feitiçaria. Acredita-se que eles tenham se materializado para ajudar crianças vítimas de violência.

A tradição de distribuir doces está ligada ao candomblé, onde Cosme e Damião são associados aos ibejis, gêmeos amigos das crianças que teriam a capacidade de agilizar qualquer pedido que lhes fosse feito em troca de doces e guloseimas.

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