Economia & Negócios

Federação estadual pede aumento de 6% e PLR para os comerciários

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

Reajuste salarial real de 6% acima da inflação e inclusão da participação nos lucros e resultados (PLR). Esses foram os dois pontos básicos defendidos na manhã de ontem por Luiz Carlos Motta, presidente da Federação dos Empregados no Comércio do Estado de São Paulo, durante entrevista coletiva aos órgãos de imprensa de Bauru.

O dirigente critica as condições de trabalho da categoria, faz comparação com outros ramos de atividade e critica a escassez de benefícios proporcionados pelos empregadores. Segundo ele, há alguns anos existem trocas de conceitos e mascaramento da realidade que geram prejuízos para os trabalhadores do setor de comércio.

Para Motta, os índices de inflação divulgados na mídia não condizem com a realidade verificada no mercado, o que provocaria perda de poder aquisitivo cada vez maior para os comerciários. “Nossa categoria sofre com essa redução de poder de compra. Como a inflação é manipulada, sempre sofremos nas convenções coletivas”, afirma.

De acordo com ele, o índice de inflação real seria maior do que o divulgado. Seus argumentos se atém a reajustes de tarifas públicas e alguns setores de serviços. “As contas de água e luz, aquelas ligadas ao governo, em geral, sobem acima da inflação. Assim como as mensalidades escolares e situações como a de empréstimos onde o juro nunca segue o índice de inflação divulgado”, defende a idéia.

Por essa razão ele propõe o reajuste de 6% acima da inflação para os comerciários do Estado (o último aumento foi de 4,2% em outubro do ano passado). “A intenção é ter uma decisão a respeito já no dia primeiro de setembro, após reunião com representantes patronais”, revela.

Outra questão que também deve ser colocada e discutida até a mesma data é a questão da PLR. De acordo com Motta, a jornada de trabalho dos comerciários é uma das mais exaustivas, chegando a 55h semanais (ele não possui dados exclusivos sobre Bauru). Isso principalmente nos grandes centros urbanos e cidades do litoral ou com existência de shopping centers.

“Não somos contra o trabalho aos domingos, desde que seja respeitada a legislação disposta pela medida provisória 388. Sabemos que em determinados locais não é possível fechar o comércio aos domingos. Mas se esse dia teoricamente para descanso é usado normalmente, porque o trabalhador não pode ter direito a PLR. Vamos tentar conscientizar o empregador quanto a essa questão”, diz.

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Incentivo à participação

Luiz Carlos Motta está na presidência da federação dos comerciários no Estado desde abril deste ano, após o falecimento de Paulo Lucania. O novo líder promove visitas a regionais dos sindicatos dos comerciários. Ontem pela manhã ele se reuniu em Bauru com representantes de Marília, Jaú, Botucatu, Avaré, Lins e Garça. À tarde se deslocou para Presidente Prudente com o mesmo propósito.

Segundo o presidente, a intenção é dar continuidade a esse contato direto com os representantes da categoria em todo o estado. “Queremos saber os anseios e as dificuldades dos trabalhadores de cada região, construindo uma administração mais participativa”, afirma.

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