O consumidor terá que tirar mais dinheiro do bolso para comprar o tradicional pãozinho francês de todas as manhãs. O quilo do produto sofreu reajuste de 10% e a estimativa das panificadoras é de que ele fique ainda mais caro. A falta de matéria-prima no mercado interno e também no externo estaria motivando esta alta. A situação pode se agravar se a isenção de 7% de impostos sobre alguns derivados do trigo acabar. O processo tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) para julgamento.
Algumas padarias de Bauru já estão praticando o novo valor, mas muitos empresários do ramo prevêem sensível queda nas vendas.
De acordo com Evaristo Gonzales, presidente do Sindicato das Panificadoras de Bauru e Região, o clima seco tem prejudicado a produção nacional em 40%. Além disso, o mercado internacional do trigo também teve perda de produção. Países como a Argentina, que a exemplo do Brasil perdeu produtividade, encareceram a venda do trigo nacional, especialmente porque o interesse de seu mercado comprador externo, como o chinês, cresceu muito.
Mas segundo Gonzales, a situação, que já está extremamente difícil, pode ficar ainda mais grave. Isso porque em 2005 o governo do Estado de São Paulo criou uma lei isentando em 7% de impostos alguns produtos derivados do trigo, como a farinha, biscoito, bolacha, macarrão e o grão de trigo. Entretanto, esse benefício pode ser suspenso e os empresários do ramo ter de ressarcir os cofres públicos em valores retroativos.
“O Estado do Paraná, se achando prejudicado por essa isenção, fez uma representação no Ministério Público Federal contra o Estado de São Paulo. Hoje, essa ação está no STF para julgamento. Se o caso for julgado como inconstitucional, os impostos voltarão a ser cobrados e o pior, as empresas terão de recolher tudo atrasado desde 2005”, explica Gonzales.
Justiça
Na opinião dele, a tendência da Justiça é julgar o caso como inconstitucional. “É importante destacar que a isenção dos 7% permitiu às padarias, moinhos e fábricas de biscoito segurar o preço dos produtos. Se não fosse isso, o pãozinho no Estado de São Paulo teria um preço muito maior”, completa Gonzales.
Entre os donos de padarias, a expectativa de prejuízos é geral. José Losnak, dono de uma panificadora na Vila Souto, ainda não repassou os 10% de aumento aos clientes. Mas segundo ele, isso deve acontecer dentro de no máximo dez dias.
“O consumidor vai sentir muito esse reajuste, porque o poder aquisitivo das pessoas não tem acompanhado a alta dos produtos. Hoje (anteontem), por exemplo, o fermento teve um reajuste de 20%”, argumenta.
Losnak estima perda de até 10% nas vendas. Ainda conforme ele, a chegada das férias escolares, que está próxima e representa retração no movimento das panificadoras, deve contribuir ainda mais com esse cenário de instabilidade.
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Embalagens
Para alguns empresários do ramo de panificadoras, a falta de trigo não é o principal fator responsável pela alta do pãozinho francês. Alexandre Gonçalves Módolo, dono de uma rede de padarias em Bauru, atribui nesta lista, em primeiro lugar, o custo das embalagens do produto.
“A embalagem tem ficado muito cara e, na minha opinião, é o que mais causa impacto no preço final do que propriamente a farinha. Hoje, o cliente compra um pãozinho e quer levar num saquinho de papel e dentro de uma sacolinha plástica. Isso encarece muito para a gente”, pontua Módulo.
O empresário destaca ainda que as despesas com gastos fixos, como energia elétrica, água e telefone, também têm aumentado consideravelmente e comprometido o faturamento das padarias.