Economia & Negócios

ANP: preço do álcool sobe 26% em 13 dias

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

O período de colheita da cana-de-açúcar acabou. Além do início da entressafra, o mês de outubro também trouxe novos preços dos combustíveis nos postos de Bauru. Segundo levantamento feito pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio do álcool na cidade em 29 de setembro era de R$ 0,93. No dia 13 deste mês, a média era de R$ 1,18 - aumento de 26,8%.

Atualmente, os preços do álcool nos postos variam de R$ 1,09 a R$ 1,19 na maioria dos estabelecimentos. Segundo a ANP, no momento o valor médio do litro do combustível em Bauru é o sétimo mais caro do Estado. Recentemente, a cidade chegou a liderar este ranking.

No caso da gasolina, que tem 25% de álcool anidro em sua composição, a alta foi mais amena. O preço médio do litro passou de R$ 2,29 no final de setembro para R$ 2,48 neste mês - aumento de 8,2%. Atualmente, a variação entre os postos da cidade gira em torno de R$ 2,39 a R$ 2,49.

Na prática, os valores atuais são os mesmos praticados pelos postos há cerca de dois meses, antes do ápice do período de safra da cana - que ocorre entre abril e setembro. Além de situações técnicas que influenciam nos valores de venda dos combustíveis, como a colheita da cana-de-açúcar no caso do álcool, outros fatores acabam influenciando a dança dos números.

Em Bauru, a “guerra de preços” entre os postos é o principal argumento dos empresários do ramo. Basicamente, a prática funciona da seguinte forma: um posto consegue uma negociação especial com a distribuidora que representa. Durante esse período, o dono do estabelecimento consegue praticar preços inferiores à média da cidade. Conseqüentemente, a alteração chama a atenção dos consumidores e o movimento no local aumenta.

De olho na freguesia e na concorrência, os postos ao redor buscam formas de conseguir preços competitivos e também tentam negociar. Alguns empresários, mesmo sem conseguir o apoio das companhias distribuidoras - que costumam praticar preços de custo semelhantes para seus clientes -, decidem baixar os preços dos combustíveis em busca do maior giro de caixa em seu estabelecimento. Desta forma, a reação em cadeia já está instalada.

Entressafra

Ontem, a reportagem não conseguiu entrar em contato com a diretoria do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) para falar sobre as recentes mudanças no preço final do álcool e da gasolina. Entretanto, em matéria publicada no Jornal da Cidade no dia 6 de setembro, o presidente da entidade, Wagner Siqueira, já alertava para o reajuste a partir deste mês. Motivo: início da entressafra da cana.

Segundo declaração de Siqueira na ocasião, grandes impactos para o consumidor não devem ocorrer, já que a quantidade de álcool produzida para abastecer o mercado interno seria suficiente. O volume de exportações também diminuiu em relação ao ano passado, o que resulta na maior oferta de álcool no País.

Diante de tantas alterações, a orientação do presidente do Sincopetro é para que o consumidor sempre opte por abastecer em um posto de sua confiança. Segundo ele, nem sempre preço muito baixo significa combustível de qualidade.

O vendedor Ruan Silva, que tem carro a álcool, lamenta as alterações ocorridas neste mês. “Eu estava achando ótimo os preços que os postos estavam fazendo em agosto e setembro. Cheguei a andar muito tempo com o tanque do carro cheio, o que é muito difícil acontecer. Pelo menos, ainda bem que não subiu tanto quanto no ano passado”, observa. Em 2006, no início do ano o litro do álcool chegou a custar R$ 1,69 em Bauru.

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