Os Democratas de Bauru se reuniram ontem no encontro mensal, na sede das Faculdades Integradas de Bauru (FIB) e o tom do encontro foi de críticas às mudanças no sistema prisional de Bauru que estão sendo promovidas pelo governo do Estado. Os ex-pefelistas lançaram cobranças contra o governo formado pelos antigos aliados tucanos em relação à transformação das penitenciárias 1 e 2 em semi-aberto, ao invés do atual regime fechado.
O presidente municipal do DEM, Dudu Ranieri, foi o primeiro a fazer reclamações da política do sistema prisional dos tucanos para Bauru. “Nós precisamos de emprego, de oportunidade para o povo trabalhar, e não de abertura de vagas na prisão com o semi-aberto, que cria concorrência nas ruas com quem tem seu trabalho. Não precisamos de mais presídios e essas mudanças são ruins para a cidade” disse.
Apesar das críticas, a direção dos democratas não ventilou na reunião a adoção de intervenção política junto aos caciques do partido – muito próximos do governo do PSDB no Estado – para tentar convencer os tucanos a desistir das medidas que estão sendo implementadas para as penitenciárias locais.
Os filiados, principalmente os pré-candidatos a vereador, também lamentaram a transformação das penitenciárias locais em semi-aberto, o que vai significar que pelo menos mais 1.500 detentos tenham o direito de trabalhar fora dos presídios durante o dia, retornando apenas para o pernoite. Mas, entre os que abordaram o tema, Paulo Canalli, destacou que a questão de mudança de regime é uma medida, mas a superpopulação carcerária tem em sua raiz na carência de ações sociais e de oportunidades para os mais jovens.
Outros democratas pediram que a posição contrária à ampliação do regime semi-aberto na cidade fosse adotada como “bandeira do partido neste momento”. “Muitos delitos ocorridos na cidade infelizmente são praticados por detentos do regime semi-aberto onde eles permanecem nas ruas e voltam para o sistema à noite protegidos por sistema bancado pela sociedade”, reforçou um democrata.
A crítica se concentrou não contra a ressocialização de presos, mas ao sistema que permite acesso desse contingente à sociedade em detrimento aos programas de trabalho instalados no próprio complexo, como era no Instituto Penal Agrícola (IPA) em sua concepção, há muitos anos.
O pré-candidato a prefeito José Clemente Rezende, ponderou que no regime fechado o preso tem dia de visita, ao contrário do aberto, quando as famílias em geral se deslocam para as proximidades do complexo, mudando o perfil da população. ”Esse regime causa um trauma social que precisa ser discutido e combatido. Não somos contrários a inserir o preso na sociedade, mas contra o aumento da população carcerária nesse sistema em nossa cidade, onde o complexo já é grande”, finalizou.