O Grupo Pró-Bauru, formado por representantes empresariais e de instituições de classe do município, solicitou à Universidade Estadual Paulista (Unesp) e à Instituição Toledo de Ensino (ITE) a realização de uma consulta pública envolvendo moradores, trabalhadores e consumidores/visitantes da região central da cidade. O objetivo da consulta era descobrir quais são os problemas que levam uma pessoa a se afastar do Centro enquanto local de moradia e o que é necessário para que elas retornem, conta Dalva Aleixo Dias, professora da Faculdade de Artes, Arquitetura e Comunicação (Faac) da Unesp e uma das responsáveis pela pesquisa.
A consulta foi dividida em quatro segmentos: moradores do Centro (proprietários e locatários), trabalhadores do Centro, visitantes do Centro, além de líderes religiosos e representantes de associações e sindicatos. Os alunos do curso de relações públicas da Faac, coordenados pela professora Célia Maria dos Santos, ficaram encarregados de consultar o primeiro e segundo grupo. O terceiro ficou a cargo dos alunos de economia da ITE, coordenados pelo professor Reinaldo Cafeo. As lideranças foram entrevistadas pelos professores da Faac, Dalva Aleixo, Nilson Ghirardello e Rosío Salcedo.
Um fato a se ressaltar na consulta é a unanimidade das respostas para algumas questões. Sobre a imagem do Centro, por exemplo, todos fazem uma distinção clara entre o dia e a noite. “A maior parte dos pesquisados não levaria sua família à noite para o Centro porque lá se vê prostituição, crianças viciadas, o que para eles não é agradável”, conta Dalva. Segundo a professora, esses dados revelam a presença de uma violência social e moral, o que implica a necessidade de se fomentar atividades de assistência e desenvolvimento social com as pessoas marginalizadas, além de atividades culturais, especialmente no período noturno.
Para Reinaldo Cafeo, existe uma demanda reprimida em relação à habitação na cidade, que o Centro pode suprir. No entanto, para que isso ocorra, algumas atitudes devem ser tomadas por parte do poder público, de empresários e da população civil. Exemplo disso seria a redução do IPTU por parte da Prefeitura para incentivar proprietários a investirem em suas casas no Centro, pois vários pesquisados afirmaram que as moradias para locação são muito antigas.
Articulações
Segundo Cássio Carvalho, presidente do Grupo Pró-Bauru, propostas de melhorias no Centro continuam chegando: “Estão em andamento algumas articulações para promover a restauração de alguns prédios históricos e transformá-los em sedes de associações culturais, mini-museus ou locais para cursos profissionalizantes”.
Esses resultados serão encaminhados em forma de propostas, contendo um levantamento dos problemas, as causas e as possíveis soluções e formas de incentivar a habitação na região. “Com certeza nós conseguimos construir a idéia de um Centro ideal. O que precisa ser aprofundada é a discussão de estratégias para se chegar à situação desejada”, opina Dalva. O levantamento poderá auxiliar na elaboração de estratégias para o Plano Diretor (PD) Participativo de Bauru.