Cultura

Pare o mundo para Silvio Brito descer

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de 30 anos, Silvio Brito ainda consulta o “Espelho Mágico” para saber se existe no mundo alguém mais louco do que ele. Hoje em dia a disputa está acirrada, confessa. Tanto é, que ele garante: seu primeiro sucesso, “Tá Todo Mundo Louco”, ocupa isoladamente o topo das mais ouvidas no Congresso Nacional, em Brasília.

Uma pausa para as risadas e o artista volta a falar ao telefone com o JC Cultura. Debochado, “cristão independente”, homem sem preconceitos, o músico abre a edição 2007 da Grand Expo Bauru nesta noite. Com o estilo (e repertório) bem próximo de quando estourou nos anos 70, o show é uma retrospectiva dos 31 discos gravados em 35 anos de carreira.

Ele jura ter sido o primeiro a dizer o que Raul repetiu dois anos depois: “Pare o Mundo Que Eu Quero Descer”. E, hoje em dia, a vontade se mantém mais forte do que nunca. “Parece que esta música foi feita para os dias atuais”, conta Brito. Além dessas, outra canção prometida para a noite é “Farofa-fá”. Sim, é ele mesmo o responsável pelo hit grudento “Comprei um quilo de farinha pra fazer farofa, pra fazer farofa”.

O músico também vai percorrer o repertório dos Beatles, de Roberto Carlos e do parceiro Raulzito; interpretar boleros clássicos e clássicos sertanejos. No show, o público poderá testar a fluência de Brito cantando em sete idiomas. “É uma homenagem aos países em que me apresentei. É um show muito rico e variado”, classifica.

Silvio Brito se apresenta ao lado de Rogério (bateria), Gustavo (teclado), César (contrabaixo) e Márcio (guitarra). O show deve contar com a participação de duas filhas do músico, Marysol e Clarissa, vocalistas que até o fechamento desta edição não haviam confirmado presença.

• Serviço

Silvio Brito se apresenta hoje, a partir das 23h, na 34.ª Grand Expo Bauru. Os ingressos serão vendidos por R$ 2,00, a partir das 16h, na portaria do Recinto Mello Moraes (avenida Comendador José da Silva Martha, quadra 36). Mais informações: www.expobauru.com.br

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Autêntico

Afastado da mídia há anos, o músico justifica sua ausência culpando os modismos. “Quem está sempre na moda não tem problemas com a mídia. Se a moda é forró, grava forró; se for pagode, grava pagode. São pessoas que não têm compromisso com sua idéia”, opina Brito. “O Raul mesmo, até pouco antes de morrer, estava jogado às moscas e só se tornou um mito depois que morreu”, continua.

Atualmente, o músico tem sido convidado a participar de programas de televisão e shows em várias partes do Brasil. “Talvez o resgate do meu trabalho esteja tão forte hoje porque todas as músicas que gravei em 70 e 80 parecem ter sido feitas para agora”, acredita.

Neste embalo, Brito lançou recentemente o CD “Nos Bares da Vida com Meus Amigos”, gravado durante a temporada de shows no Bar Brahma, em São Paulo, no começo do ano. Na semana que vem, o show chegará às lojas em formato DVD.

Sem preconceitos

Silvio Brito incomodou a crítica da década de 70 por dividir o palco tanto com um cristão, como o Padre Zezinho, quanto com o autor de “Rock do Diabo”, Raul Seixas. “Isso foi demais! Muito maluco, né?”, ele fala sobre as “contraditórias” parcerias, com nomes como Milton Nascimento, Paulo Coelho, Moacyr Franco e Tonico & Tinoco.

“Antigamente era muito difícil mostrar que isso era uma riqueza. Havia um preconceito, porque a crítica achava que sambista só podia ser sambista e assim por diante. Eu não, eu perambulei por tudo isso com muita liberdade”, lembra Brito.

Sob uma formação católica, mas com respeito a todas as manifestações religiosas, Silvio Brito se diz um espiritualista, “um cristão independente”. Desta forma, consegue assumir sem contradições sua crença em extraterrestres, divulgada abertamente em canais de televisão.

“Eu nunca tive contato, mas já vi extraterrestres. Acho isso uma coisa muito normal, porque, num universo tão grandioso como o nosso, seria pretensão do ser humano pensar que só tem vida aqui na Terra”, conclui.

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