O uso de cosméticos na infância
Prezado leitor,
Com a evolução dos tempos, cada vez mais e precocemente as crianças estão fazendo uso de cosméticos de várias modalidades, desde xampus a produtos de maquiagem em geral. Vocês, pais, já pararam para pensar ou para se informar se essa conduta pode resultar em alguma lesão à saúde das suas crianças?
O interesse atual das meninas por cosméticos reflete uma tendência nacional. A maioria delas carrega uma bolsinha com todos os apetrechos de beleza, entre eles batom, hidratantes e perfumes. Com a modernidade, até demais por sinal, as festinhas de aniversário são realizadas em salões de beleza, onde as pequenas passam o dia se embelezando e comemorando a nova idade. Qual deve ser a conduta dos pais? Proibir ou liberar?
Os pais dessa nova geração seguem duas linhas diferentes: ou apóiam ou proíbem veementemente a compra desses cosméticos. Independente da linha de pensamento, os pais devem ficar atentos a algumas informações.
Leitura das embalagens
O primeiro ponto é que qualquer produto utilizado deve ser específico para crianças, ou seja, da linha infantil, pois as formulações são mais suaves e saem facilmente com água. As formulações sem corantes e álcoois são sempre as melhores opções.
Para ter certeza da qualidade do produto, procure impresso na embalagem o número de registro no Ministério da Saúde, na ANVS (ou Anvisa), os órgãos brasileiros responsáveis pela fiscalização e certificação da qualidade desses produtos.
Xampus e condicionadores
O cabelo das crianças não requer qualquer cuidado especial. Basta lavá-los com um xampu infantil para limpá-lo e tirar alguns resíduos. Os sem corantes e com pH entre 7,5 e 8,5 são as melhores opções.
As crianças, em tese, não precisariam usar condicionadores de cabelo. Caso seja necessário aplicar algum produto para desembaraçar os fios e evitar que a criança se estresse no momento de pentear os cabelos, use cremes de enxágüe somente nas pontas. O produto deve ser aplicado sempre por um adulto para que não se corra o risco de excessos de creme nos cabelos. Em crianças alérgicas, os cuidados no uso de condicionadores e xampus deve ser redobrado.
Sabonetes
Crianças devem usar sabonetes próprios até que atinjam a adolescência. Somente a partir da puberdade é que podem começar a fazer uso de produtos para adultos. Não é necessário um tipo de sabonete para o corpo e outro para o rosto, pois a pele da criança é sensível como um todo.
Caso a pele seja rugosa, seca ou com eczema (alergia) deve-se procurar um dermatologista para indicar qual o melhor produto. Como regra geral, os sabonetes líquidos são menos irritantes do que os de barra.
O uso de buchas deve ser abolido, pois contribui para tirar a oleosidade natural da pele. Nos locais que exigem maior grau de limpeza, como pés e joelhos, o uso da bucha é liberado com cautela, portanto, evite esfregar vigorosamente.
Protetor solar
Antes dos 6 meses não se deve usar qualquer tipo de protetor solar nos bebês. Os banhos de sol devem ser restritos ao tempo e aos horários indicados pelo médico pediatra.
De 6 meses a 1 ano, o uso de protetor solar ainda é controverso. Alguns profissionais são favoráveis ao uso, outros não. Por ainda não haver um consenso, a indicação é o uso de roupas com protetor solar, já disponível no mercado brasileiro.
Após o primeiro ano, os dermatologistas já recomendam o uso de protetor solar. Os protetores físicos (chapéus, roupas, guarda-sol) ainda são melhores que os protetores químicos (o protetor solar propriamente dito), pois estes provocam maior reação alérgica. O dermatologista está capacitado a fazer a diferenciação entre um e outro e poderá indicar o melhor produto.
O melhor veículo para protetor solar infantil é a emulsão em gel-creme, creme ou loção, pois se espalha muito bem sobre a pele. O gel não é recomendado por conter álcool e ser indicado para peles mais oleosas.
Na praia ou na piscina, mesmo que o protetor seja à prova d’água, os pais devem reaplicá-lo na criança após sua entrada na água ou depois de muita transpiração. Se a criança não entrar na água, ainda assim é necessário reaplicar o protetor a cada duas horas. Mesmo com esses cuidados, a exposição solar deve ser proibida das 10h às 14h.
Maquiagem, esmalte e perfume
A maquiagem infantil é fácil e rapidamente removida da pele e tem menor quantidade de substâncias químicas do que as maquiagens dos adultos. Além disso, a Anvisa permite que as substâncias tenham gosto ruim para evitar sua condução à boca.
As maquiagens próprias para bonecas não podem ser usadas nas crianças, pois esses produtos não são formulados com ingredientes próprios para a pele infantil nem propiciam segurança adequada.
Os esmaltes infantis permitidos são aqueles que saem sem necessidade do uso de acetona ou removedor. Inclusive o cheiro dos esmaltes infantis é bem diferente do odor exalado pelos esmaltes para adultos. Jamais leve uma criança à manicure para remover a cutícula.
Por conterem muito álcool, os perfumes de adultos não devem ser utilizados em crianças. Mesmo os próprios para uso infantil devem ser colocados na roupa e não diretamente na pele, pois podem provocar reações alérgicas indesejáveis.
É muito interessante incentivar a criança para os cuidados com a higiene pessoal desde cedo, como também fortalecer a sua auto-estima. No entanto, não devemos esquecer que é muito bom curtirmos cada etapa da nossa vida e que essas crianças, depois de adultas, terão muito tempo para cuidar da beleza.
Um grande abraço e até o próximo domingo.
Daniela Hueb
Médica nutróloga e pós-graduada em dermatologia estética - CRM-SP 96.027.
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