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Ranço, arrogância e (in)segurança


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Ao acusar São Paulo de maquiar e esconder dados sobre a sua criminalidade, o secretário da Segurança do Rio de Janeiro, em vez de cuidar de sua obrigação, lança mão do velho, odioso, preconceituoso e improdutivo ranço entre paulistas e cariocas. Ao mesmo tempo autoridades policiais paulistas afirmaram estar mais preocupadas com o policiamento comunitário que com o sistema “tropa de elite”, numa velada e irônica crítica aos seus colegas cariocas. Nada mais impróprio e, até desleal, já que cada localidade possui características próprias.

As autoridades, tanto de uma quanto de outra praça, deveriam estar atentas com o crime que ocorre ali, à sua frente, sem preocuparem-se com a vida do vizinho. Palpites deveriam ser emitidos só quando requisitados pelos próprios interessados e, mesmo assim, na linha construtiva. Poderiam ser reservados para as reuniões do Conselho de Segurança Pública da Região Sudeste, criado no inicio do ano, pelos governadores, se é que aquele organismo tem se reunido. Não existem no mundo dois lugares exatamente iguais e, assim sendo, seus problemas também são diferentes, não se resolvendo com fórmulas prontas e pirotécnicas. O máximo que os governos e autoridades podem padronizar é a legislação, mas os procedimentos dependem de cada localidade. Só quem está na linha de tiro tem condições de opinar, jamais aquele que está a quilômetros de distância. A crise da segurança pública resulta, entre outros motivos, da dolosa omissão de governos que confundiram liberdade com impunidade. Áreas nevrálgicas das cidades, as periferias e as prisões só foram cooptadas pelo crime organizado porque o Estado deixou de se fazer presente e de cumprir com suas obrigações. Resolver isso, agora, também é uma questão de Estado e cada localidade na dimensão e natureza de seu problema. Além do trabalho repressivo-policial, são necessárias medidas econômicas e sociais.

As polícias precisam de salário e investimento em equipamento e tecnologia para enfrentar os bandidos. Mas o governo não deve se esquecer, também de criar alternativas de estudo, trabalho e vida para os milhares de jovens e adultos que hoje só conseguem alguma renda através do crime ou da contravenção. É isso não se faz só com discursos eleitoreiros

Quanto às polícias, nenhuma delas pode ter a arrogância de dizer-se melhor e, muito menos, criticar a outras, pois todas, infelizmente, têm as suas gravíssimas mazelas...

O autor, Dirceu Cardoso Gonçalves, é tenente, dirigente da Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo - e-mail: aspomilpm@terra.com.br

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