Bairros

Moradores estão apreensivos com a vinda de semi-aberto

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

O processo de transformação de regime das penitenciárias de Bauru começou há três dias e muitos ainda estão incertos sobre o futuro dos bairros onde vivem. Moradores do Parque Jaraguá e do Núcleo Fortunato Rocha Lima, próximos às unidades prisionais, possuem opiniões variadas sobre o rumo que os bairros irão tomar.

A reportagem do Jornal da Cidade passou a tarde percorrendo ruas dos dois bairros. A avaliação dos moradores é que as famílias dos novos reeducandos poderão se mudar para Bauru para ficarem mais próximas do parente encarcerado, intensificando o que já acontece atualmente.

O que preocupa os moradores é o perfil dos prováveis novos vizinhos. Uma das características das penitenciárias da cidade é que elas não são controladas por nenhuma facção criminosa. E a apreensão é se os novos ocupantes do regime semi-aberto que será implantado seguirão esta tendência.

Silas Aparecido Moreira mora há 30 anos no Jaraguá e conhece o bairro como ninguém. Para ele, a decisão da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) em mudar o regime das penitenciárias de Bauru é equivocada. “Acho que deveria manter o jeito que estava. Os moradores estão preocupados. As famílias dos presos estão preocupadas também”, ressalta. Ele acredita que muitos vizinhos devem se mudar, acompanhando os parentes que deverão ser transferidos. “Temos muito respeito aqui e fico sentido em perder esses amigos”, conta.

Nas ruas do Fortunato, os moradores estão conformados com a decisão da SAP. Para eles, a convivência com a família de presidiários nunca foi problema. Porém, temem que a chegada de muitas pessoas no bairro quebre esta paz.

“Até hoje, eles nunca causaram nada para nós. O problema é se o pessoal novo fizer alguma coisa”, diz Iraci Rodrigues da Silva, que há 12 anos mora no Fortunato. “Acho que o bairro vai encher bastante. Já tem muitas famílias aqui que vieram por causa dos presos e até agora, não tivemos problema. Só não sei se vai ficar assim depois”, pondera Eliane Grazieli Raimundo, que está no Fortunato há três anos.

Para o comerciante Luiz Lopes, que está há cinco anos no Jaraguá, a população deveria ter sido consultada antes do processo ter sido iniciado. “Tudo o que vai contra a funcionalidade é ruim”, avalia. Para ele, o principal aspecto negativo é a instalação de facções no bairro.

Uma outra moradora que pediu para não ser identificada aposta que o Jaraguá ficará mais violento. “Os novos presos trazem a família, e depois? Eles não vão conseguir um emprego, se sustentar e o que pode acontecer? A gente só pede a Deus que as coisas não piorem”, lamenta.

Porém, para outros moradores, a rotina dos bairros não vai mudar. “Para mim, os piores bandidos são os que estão na rua, no governo. Quem está preso, já está pagando o que deve”, diz uma moradora do Fortunato que pediu para não ser identificada. “Eu nem sabia que isto estava acontecendo, mas acho que não vai mudar muita coisa, não”, opina Milton Antônio Alvarenga, que há um ano mantém residência no Jaraguá.

Andrelina Batista, moradora do Fortunato, não se incomoda com a mudança de regime da P1 e P2. Há dois meses sua filha cumpre pena em semi-liberdade no Mato Grosso. “Ela diz que foi a melhor coisa. Ela sai, pode trabalhar. É uma beleza”, diz.

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Positivo

A proprietária de uma mercearia do Núcleo Fortunato Rocha Lima, que pediu para não ter o nome revelado, acredita que o aumento de reeducandos que terão o benefício da saída temporária em feriados com a instalação do regime semi-aberto irá melhorar o seu negócio. “Eles saem com dinheiro, consomem e gastam aqui. O dinheiro deles vale a mesma coisa”, avalia.

Para Silas Aparecido Moreira, que mantém um bar no Jaraguá, o aumento de clientes é o único aspecto positivo. “Com certeza, além do pessoal da saidinha, também vai ter o aumento de moradores por aqui. Com o que isso tem de positivo e negativo, também”, observa.

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