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Mulher com meningite morre aos 32 antes de conseguir vaga em UTI

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Uma mulher de 32 anos morreu na manhã de ontem, após cinco dias internada no Pronto-Socorro Central. Josiane Barbosa Chaves, que estava com meningite, aguardava uma vaga em alguma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde terça-feira. Ela morreu antes da vaga ser liberada.

Rosiane, irmã mais nova de Josiane, velava o corpo na tarde de ontem. “Ela deu entrada no Pronto-Socorro no sábado e ficou na sala de emergência. Até chegou a dar uma melhorada, mas na terça-feira ela já foi para uma UTI do Pronto-Socorro”, relata. Já naquele dia, Josiane estava respirando com auxílio de aparelhos na unidade intensiva do PSC.

A assessoria de comunicação da prefeitura, ao contrário da família, informa que a paciente havia dado entrada na unidade somente na terça-feira. A Secretaria Municipal de Saúde solicitou oficialmente à Central de Vagas do governo do Estado a transferência da paciente para uma unidade hospitalar. Mas nenhum leito foi disponibilizado para Josiane.

“Agora, a gente nunca vai saber se ela teria melhorado se tivesse conseguido uma vaga”, lamenta Rosiane. Ela conta que apesar da irmã sofrer de problemas psiquiátricos e ter que tomar remédios regularmente, a saúde de Josiane sempre foi boa. “Ela era uma pessoa forte. Foi um absurdo ter acontecido isso”, lamenta Rosiane.

Procurado pelo Jornal da Cidade, o Hospital Estadual (HE) afirmou que no mesmo dia recebeu uma solicitação de vaga para UTI adulto com isolamento, já que a meningite é uma doença contagiosa.

Mas o HE informou que não dispunha da vaga, pois a unidade de tratamento intensivo da unidade tem apenas um leito de isolamento, que estava ocupado.

Reunião

Rosemary Lopes de Moura, membro do Conselho Municipal de Saúde, do Conselho Gestor do Pronto-Socorro Central (PSC) e gestora do Pólo Sudoeste Paulista, órgão do Ministério da Saúde, tomou conhecimento sobre a morte de Josiane Barbosa Chaves na manhã de ontem.

Para ela, existe um clima de hostilidade entre o PSC e o Hospital Estadual nas solicitações de internação. “É um problema de comunicação que precisa ser sanado”, avalia. Ela planeja convocar uma reunião entre os dirigentes das unidades para resolver este impasse.

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De quem é o paciente?

Ontem, tanto a Associação Hospitalar de Bauru (AHB) – entidade que reúne os hospitais de Base e Manoel de Abreu e a Maternidade Santa Isabel - quanto o Hospital Estadual (HE) afirmaram que não seriam a unidade de referência para o tratamento de Josiane Barbosa Chaves, que morreu na manhã de ontem. Ela tinha meningite.

A assessoria de comunicação do HE informou que não é referência para tratamento de doenças infecto-contagiosas, serviço direcionado ao Hospital Manoel de Abreu. Já a AHB afirmou que Josiane deveria ter sido internada na UTI do HE, pois o Manoel de Abreu não trataria de pessoas com meningite.

Carlos Alberto Macharelli, diretor do Departamento Regional de Saúde 6 (DRS-6), avalia que como a meningite é uma doença infecto-contagiosa, deveria ser tratada no Hospital Manoel de Abreu. Para ele, como a entidade não possui Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a paciente deveria ter sido atendida na UTI do Hospital de Base.

José Roberto Berber, diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, pondera que como o caso não era apenas uma doença infecto-contagiosa simples, ela não poderia ser atendida no Hospital Manoel de Abreu. Ele avalia que a referência é feita pela especialização do serviço, ou seja, onde o paciente teria o melhor atendimento para o seu problema. Neste caso, ele acredita que o Hospital Estadual teria uma estrutura melhor para atender Josiane.

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