São Paulo - Diferentemente da maioria de seus colegas, Régis Prado Barbosa, 17 anos, sempre adorou matemática. “Foi inevitável, pois meus pais são professores e passavam exercícios extras em casa para me estimular.” A dedicação compensou: neste ano, ganhou medalha de ouro na Olimpíada Ibero-Americana de Matemática e de prata na Olimpíada Mundial e na do Cone Sul. Régis, que está no terceiro ano do ensino médio, freqüentou desde a 5.ª série um curso especial para olimpíadas de matemática, no colégio particular onde estuda, em Fortaleza. No período, estudava seis horas por dia.
Ele conta que já tirou uma nota vermelha na matéria, mas que esse não foi o motivo para buscar o curso. “Foi um deslize, depois só tirei dez. Comecei a fazer o curso por causa do meu irmão.” Seu objetivo agora é o vestibular do ITA - quer fazer engenharia da computação, como o irmão mais velho -, mas tem dificuldades para se dedicar a outras disciplinas. “Sinto falta da matemática, não tenho interesse de estudar outras matérias.”
Para ele, a pior é biologia, “pois é basicamente decoreba”. Ele acredita que os colegas não são bem preparados porque não têm interesse. “Eles não querem desafios nem entender o porquê de uma fórmula, querem tudo pronto, sem pensarem.”