Nacional

Presa quadrilha de falsos delegados

Por André Caramante | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - A Polícia Federal prendeu ontem 23 pessoas (22 delas em São Paulo e uma no Rio) acusadas de integrar uma quadrilha que usava o nome da própria PF, da Procuradoria Geral da República, do Supremo Tribunal Federal e da Receita Federal para extorquir dinheiro de empresas de todo o País.

Chamada de Operação Repique, a ação da PF ocorreu simultaneamente em quatro Estados: São Paulo, Rio, Sergipe e Santa Catarina, onde, ao todo, foram cumpridos 64 mandados de busca e apreensão.

O golpe aplicado pelos falsos servidores federais, de acordo com o delegado federal Adalto Ismael Rodrigues Machado, começava quando os integrantes da quadrilha pesquisavam em jornais, revistas e catálogos telefônicos dados sobre as empresas que pretendiam lesar. Depois de estudar o organograma das empresas e descobrir seus donos e diretores, a quadrilha oferecia a eles a venda de anúncios em revistas que, teoricamente, pertenciam a órgãos como sindicatos de policiais, funcionários do Ministério Público Federal e várias outras instituições de funcionários públicos.

Os contatos quase sempre eram por telefone e, diante da recusa em aceitar comprar os espaços publicitários, os empresários passavam a ser extorquidos com a ameaça de que sofreriam ações da PF e de outros órgãos como a Receita Federal. Horas antes de a operação da PF começar, um homem de aproximadamente 40 anos foi encontrado morto, com três tiros, dentro de um carro de luxo na zona sul de São Paulo. Com ele, a polícia encontrou carteiras falsas de delegado da PF.

Cartões toscos

Nas raras vezes em que apareciam pessoalmente para extorquir dinheiro dos empresários, os acusados usavam só cartões de visita toscos com nomes e brasões das instituições federais. Em deles, por exemplo, está grafado “ABIM”, uma referência à Abin, Agência Brasileira de Inteligência; em outro cartão apreendido ontem, os golpistas abreviaram “Superior Trib. Federal”.

Em quatro meses, a PF descobriu, por meio de escutas telefônicas, que o grupo fez ao menos 50 vítimas e conseguiu arrecadar cerca de R$ 700 mil. Todas as empresas, cujos nomes não foram divulgados pela PF, serão intimidas a explicar os motivos que as levaram a dar dinheiro aos golpistas.

Existe a suspeita da PF de que os responsáveis por elas pagaram a extorsão porque têm alguma irregularidade. A denúncia sobre a quadrilha foi feita à PF pela Associação dos Servidores do Ministério Público Federal. Segundo o delegado Machado, para estipular o valor da extorsão contra cada empresa, os golpistas também usavam o perfil de arrecadação de cada uma delas.

Pela lógica dos criminosos “não havia uma tabela” e as maiores sempre davam os valores maiores para evitar que, de acordo com as ameaças, fossem fiscalizadas falsamente pelos estelionatários. Além dos 23 presos (dentre os quais um advogado) ontem, todos com prisão temporária de cinco dias decretada pela 8.ª Vara Federal, outros quatro integrantes estão foragidos. O superintendente da PF em São Paulo, Jaber Makul Hanna Saadi, disse ontem que, “para não atrapalhar as investigações”, os nomes dos presos não podiam ser revelados.

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