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Após tremor de terra, Caraíbas se torna um vilarejo fantasma

Por Paulo Peixoto | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Itacarambi - O vilarejo de Caraíbas, em Itacarambi (662 quilômetros de Belo Horizonte), se transformou em uma comunidade fantasma. Atingida anteontem por um tremor de 4,9 pontos na escala Richter, ela estava deserta na tarde de ontem. Apenas três famílias ainda aguardavam, do lado de fora das casas, o caminhão da prefeitura para encaminhar a mudança para o centro da cidade. Fora elas, já não havia mais ninguém na comunidade para contar sobre a tragédia.

Os moradores foram levados a creches, transformadas em abrigos no centro do município. Eles já não querem, nem podem, mais voltar para o lugar. Seis casas foram totalmente destruídas e outras 75 casas foram danificadas. Na comunidade não há mais luz. A energia foi cortada. Depois que as últimas famílias conseguirem deixar o local levando o que sobrou de seus pertences, só restarão em Caraíbas os animais.

Ontem, cachorros, cavalos, gatos e galinhas compunham o cenário de desolação deixado para trás pelos cerca de 350 moradores da vila rural. O governo do Estado de Minas Gerais afirmou que irá reconstruir o vilarejo em um outro local. ontem, 43 homens do governo mineiro ainda travalhavam para tentar recuperar objetos das famílias do local. Eles contavam com o apoio de ao menos 17 carros e caminhões, além de dois helicópteros. A única venda do local, antigo ponto de referência e de encontro dos moradores, já estava esvaziada e fechada com a partida dos moradores.

As famílias ainda dependem de uma decisão da Prefeitura de Itacarambi, que doará os terrenos para que o governo estadual construa as novas casas para a população desabrigada.

Andar pela estreita estrada de terra que circunda e corta a comunidade de Caraíbas dá a dimensão do prejuízo que as pessoas que ali viviam tiveram em razão do tremor.

Em quase todos os pequenos lotes, de cerca de um hectare cada, percebem-se as recentes plantações de feijão e milho, após meses de seca na região do extremo norte mineiro. A chuva dos últimos dias deu apenas alguns momentos de alegria aos moradores, dependentes da roça. O cenário de destruição concentra-se principalmente nas seis casas totalmente destruídas pelo tremor da terra. Nas demais casas, há trincas e rachaduras externas. Há também pedaços de tijolos no chão.

Em um galpão, que sempre foi usado pela comunidade para encontros e festejos, pedaços do telhado caíram. O tremor que destruiu as casas não deixou outros sinais, pelo menos que fossem perceptíveis à primeira vista. Não há, por exemplo, buracos nem rachaduras no solo. A fragilidade das casas ali construídas é uma das explicações para o fato de todas as 36 moradias de Caraíbas terem tido algum problema com o tremor. Há casas de alvenaria, mas também existem construções feitas por adobe (pau e barro). E mesmo nas casas de alvenaria as construções não foram feitas com vergalhões - material de sustentação de vigas e colunas.

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