A família do adolescente Carlos Rodrigues Júnior, 15 anos, morto durante ação policial no último dia 15 de dezembro em Bauru, passou ontem mais de três horas reunida com representante da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo, a procuradora assistente Paola de Almeida Prado. A reunião é o primeiro ato do grupo de trabalho constituído no último dia 3 de janeiro para definir critérios e o valor da indenização que será paga à família, de acordo com o decreto do governador José Serra, publicado no final do ano passado.
A reunião começou por volta das 16h e terminou pouco depois das 19h. A procuradora ouviu a mãe do rapaz, Elenice, e a irmã Débora, que estavam na residência quando o jovem foi abordado por seis policiais militares. Também acompanharam os depoimentos o advogado da família André Veloso e Deise, outra irmã do adolescente. De acordo com o advogado e a procuradora, ontem não foram discutidos valores para a indenização.
Para Prado, o encontro foi positivo. “Foi um encontro muito bom, as declarações foram muito produtivas. Foi proveitoso, mas é apenas o início dos trabalhos”, avaliou a procuradora. As declarações colhidas por Prado serão ouvidas pelo grupo de trabalho composto pelo procurador geral do Estado, que será o coordenador, quatro procuradores, um representante da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania e outro da Secretaria da Segurança Pública.
No decreto, o governador José Serra considerou a morte do adolescente deplorável e avaliou que é dever do governo responder civilmente pelos danos causados por seus agentes - os policiais militares. Também informa que o Estado exigirá, por meio de processo judicial contra os autores do crime, o ressarcimento do valor a ser pago à família. O procurador Marcelo de Aquino, que também faz parte do grupo, explica que a visita também foi para explicar aos familiares do adolescente o objetivo do governo e também conhecer a real situação econômica da família.
“O objetivo é atender rapidamente o decreto do governador José Serra”, destaca. Ele informa que o próximo passo é reunir as informações colhidas ontem, com o inquérito da Polícia Militar sobre o caso. Também será ajuntado o inquérito da Polícia Civil, que deverá ser concluído em breve pelo delegado Marcelo Haddad. “O grupo irá se reunir para estudar o material e os precedentes a respeito”, conta Aquino.
Família
A família do adolescente garante que ainda não pensou no valor da indenização. De acordo com Veloso, o assunto ainda não teria sido discutido. Para Elenice, a reunião foi boa. “Foi tudo tranqüilo. Ela só quis saber como foi tudo. Eu creio que o governo está interessado em resolver tudo”, disse. A mãe do adolescente ainda está com a saúde debilitada. Após 24 dias da morte de seu filho, ela continua sem dormir e se alimentar direito. “Só estou emagrecendo. Dizer que melhorei, só se for bem pouco. Uma mãe nunca se acostuma com a perda do filho”, destaca.
Nem ela, nem Débora conseguiram voltar a trabalhar depois da morte do rapaz. “Até tentamos, mas não deu. A gente não consegue trabalhar direito em casa”, conta Elenice.
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Liberdade provisória
Os advogados dos policiais Gérson Gonzaga da Silva, 42 anos, Ricardo Ottaviani, 34 anos, Maurício Augusto Delasta, 33 anos, e Juliano Arcangelo Bonini, 34 anos, informaram que estudam viabilizar ainda nesta semana o pedido de liberdade provisória paras seus clientes.
Eles continuam presos no Presídio Militar Romão Gomes na Capital, juntamente com o tenente Roger Marcel Vitiver Soares de Souza, 31 anos e o soldado Emerson Ferreira, 35 anos, também envolvidos na morte do adolescente.