Os medicamentos utilizados atualmente para curar leishmaniose, tanto a visceral quanto a tegumentar, são tóxicos. Por essa razão, exige monitoramento médico e internação na primeira fase de tratamento. Por enquanto, não existe alternativa tópica (aplicado sobre o local).
Por conta dos efeitos colaterais, semelhantes aos de uma quimioterapia, os estudos realizados pela Unicamp são bem-vindos. Durante o tratamento, há quem possa sofrer, inclusive, arritmia cardíaca. “As drogas são bastante efetivas, mas com efeito colateral. Com a leishmaniose, o paciente já está malzinho, imagina tomando uma droga que não faz bem?”, questiona a coordenadora da pesquisa, Selma Giorgio.
Atualmente, são ministrados três medicamentos, explica o infectologista, Fernando Monti. O mais comum é um antimonial. Em crianças com idade inferior aos 10 anos, em gestantes e pessoas com idade acima dos 50 anos, o Hospital Estadual de Bauru - referência na região para o tratamento da leishmaniose visceral - aplica anfotericina B, numa formulação mais moderna.
Neste caso, o tratamento é mais rápido, explica Monti. Leva cinco dias. Quando a pessoa acometida pela leishmânia não tem tais características e não reage bem ao antimonial, a equipe médica tem receitado a anfotericina B convencional. Nos dois últimos casos, o paciente deve ser medicado por cerca de 30 dias.
“A leishmânia é muito interessante do ponto de vista biológico porque vive dentro de uma célula de defesa do organismo. É um parasita superesperto”, comenta Giorgio. De acordo com ela, a célula “invadida” pelo protozoário chama-se macrófago. “A gente brinca que ela é comilona. Ela come tudo, uma espécie de lixão. Tem no fígado, no baço, na medula”, acrescenta.
Alguns macrófagos têm mais “paladar” pela pele. Outros, pelas células do fígado.