Nacional

Confirmado outro caso de febre amarela

Por Talita Bedinelli | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - A Secretaria de Saúde de Goiás confirmou ontem que uma jovem de 19 anos contraiu febre amarela em Pirenópolis (123 quilômetros de Goiânia). Érika Cristiane Killen foi tratada e passa bem. Com a jovem, são agora 11 os infectados no País pela forma silvestre da doença neste ano, sendo sete mortos, todos em Goiás. Killen pode ter sido a segunda pessoa a contrair a doença em Pirenópolis. No dia 8, um turista do Distrito Federal, que passou o fim de ano na cidade, morreu de febre amarela.

Ontem, a Secretaria da Saúde de Goiás liberou o laudo de outros cinco casos suspeitos no Estado: todos deram negativo. Um outro caso ainda está sob investigação. A confirmação dos casos de febre amarela no país tem feito com que Estados onde não há risco da doença registrem suspeitas. Na região Nordeste, por exemplo, desde o final de dezembro foram quatro - três delas já descartadas e outra, na Bahia, sob investigação. A maioria dos pacientes sob suspeita nem sequer passou por áreas endêmicas.

De acordo com secretarias estaduais de Saúde, isso tem acontecido porque médicos estão mais vigilantes com a febre, fenômeno que levou, conseqüentemente, à alta das notificações. Casos descartados A coordenadora de Imunização da Secretaria da Saúde da Bahia, Fátima Guirra, afirma que o órgão recebe, em média, duas ligações por dia de hospitais que suspeitam de algum paciente com a doença. Após os sintomas serem avaliados, quase todos são descartados. Na Bahia, a morte de um motorista de ônibus com os sintomas da doença no dia 12 deste mês, em Feira de Santana (115 quilômetros de Salvador), ainda está sendo investigada. Em Sergipe, na semana passada, uma criança de quatro anos foi internada com suspeitas de febre amarela. Ela teve dengue.

Em Pernambuco, uma mulher morreu na quarta com sintomas da doença. Um exame descartou a hipótese. No Rio Grande do Norte, uma mulher de 25 anos foi internada com sintomas de febre amarela. Os médicos chegaram a notificar a suspeita à secretaria. Ela era vacinada. A doença foi descartada.

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Suspeita de reação à vacina

Brasília - Uma mulher de 36 anos está internada em estado grave, em Brasília, com suspeita de reação à vacina da febre amarela. A estimativa é que apenas 1 em cada 1 milhão de pessoas imunizadas tenha reações adversas graves, segundo o infectologista Marcos Boulos. O Distrito Federal já imunizou cerca de 1,2 milhão de pessoas desde dezembro.

A paciente foi internada no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) no dia 10, dez dias depois de tomar a vacina. Ela chegou com dificuldade de andar e com histórico de desmaios. No início da noite de ontem, ela estava internada na unidade de terapia intensiva, com paralisia e respirando com auxílio de aparelhos. O hospital apura outras hipóteses - processo infeccioso agudo e síndrome de Guillain-Barret. A paciente é do Riacho Fundo 2, cidade-satélite do DF.

De acordo com o infectologista, a maior parte das reações adversas da vacinação ocorre de maneira discreta, com dores de cabeça, febre e manifestações cutâneas. Mais raramente, pode haver encefalite (inflamação do encéfalo) e morte. Os sintomas variam de acordo com o organismo. Não é possível prever a reação à vacina, diz Boulos - por isso, só devem se imunizar pessoas que viajarem a áreas de risco da doença.

Outras duas pessoas tiveram reação à vacina nas últimas duas semanas. Elas, porém, tomaram mais de uma dose em menos de dez anos - período de validade da imunização. Um homem tomou uma dose num dia e, no dia seguinte, se vacinou de novo. Ele teve sintomas de hepatite leve e coceira e foi internado. Já bem de saúde, fugiu do hospital. A suspeita é que tenha ficado com vergonha de admitir a dupla vacinação. A outra pessoa teve coceiras e falta de ar, mas não chegou a ser internada.

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