Geral

Desativações deixam rastros negativos

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Rua Felicíssimo Antônio Pereira, Vila Independência, zona oeste de Bauru, cenário que lembra um pouca a letra de um samba das antigas: “Moro onde não mora ninguém/Onde não passa ninguém/Onde não vive ninguém”. Exagero? Nem tanto, se considerarmos que, anos atrás, a região foi uma dos mais agitadas de Bauru em termos econômicos.

Atualmente, quem olha para um lado da rua só vê portas cerradas e negócios desativados; do outro, só placas de “Vende-se” e “Aluga-se”. “Quando o supermercado (Oriental, mais tarde Santo Antônio) funcionava, as coisas aqui eram diferentes. Este lugar vivia cheio de gente”, afirma Maria Isabel Nobre, 50 anos, dona de uma loja de móveis usados, um dos raros negócios que foram capazes de sobreviver às transformações econômicas ocorridas no local.

Mais adiante, na mesma rua, outro monumento à decadência econômica do bairro: com mais de 60 anos de história, a velha fábrica da Bunge, que se encontra fechada há cerca de dois anos. Um funcionário (que pediu para não ser identificado) revelou à reportagem que ainda hoje pessoas costumam ir até o local para entregar currículos. “A gente pega, mas explica que vagas de trabalho, quando surgirem, serão apenas para a cidade de Rondonópolis (no Mato Grosso, onde a empresa mantém uma fábrica)”, diz.

Cenário semelhante pode ser encontrado na Vila Dutra. Ali, grandes silos destinados ao armazenamento de cereais se encontram abandonados há décadas. Um deles, situado na quadra 1 da rua Aquidauana, converteu-se em esconderijo para andarilhos. Com mais de dez metros de profundidade, o fosso destinado aos grãos se transformou em criadouro para o mosquito da dengue (e numa armadilha para as crianças desavisadas). “Ano passado eu chamei a Vigilância Sanitária. O pessoal veio, jogou inseticida no fosso e, depois disso, nunca mais voltou”, conta uma mulher que vive nas proximidades do local e pediu para não ser identificada.

Comentários

Comentários