Quando o médico de Justino Álvares, vendedor aposentado, solicitou um exame de ultra-som renal e dopler da artéria renal, ele tinha 64 anos. Hoje, com 67 anos, ele finalmente deverá fazer o teste. Paciente, ele procurou o Jornal da Cidade depois de muito tempo para criticar o que chamou de descaso com o seu problema. O caso só não é mais grave porque, em 2005, ele conseguiu fazer o exame por outro médico. Mas como já se passou muito tempo, o usuário precisa de uma nova avaliação.
Além de hipertenso, Álvares se submeteu a uma cirurgia cardíaca. Como toma 18 comprimidos por dia, ele precisa ficar atendo ao sistema renal. Em 2005, a médica que faz o seu acompanhamento na Unidade Básica do Centro solicitou o exame. “Foi pedido em agosto de 2005. No dia 29 de outubro de 2006, me informaram que o ultra-som estava agendado para o dia 11 de janeiro de 2008”, conta, mostrando todas as guias de solicitação.
Na semana retrasada, foi até o hospital onde faria o exame, mas foi surpreendido. Ao invés do ultra-som, o teste marcado era para avaliar a tireóide. “Voltei no posto de saúde do Centro. Fui agendado novamente para o dia 21 (ontem), às 9h45” relata. O exame seria realizado no Hospital Manoel de Abreu.
“Me preparei como foi recomendado. Tomei dois lactopurgas e fiquei em jejum. Mas cheguei hoje (ontem) no hospital e me informaram que o pessoal estava em férias”, afirma. “Como podem agendar o exame no período de férias?”, questiona.
Ele explica que não está criticando o sistema de atendimento, já que sua cirurgia cardíaca foi totalmente paga pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e que todos os medicamentos que precisa tomar são retirados gratuitamente por ele. “Eu não reclamo da saúde de Bauru. Só acho a situação um descaso, um pouco caso”, destaca.
Ele lembra que, coincidentemente, um outro médico, em 2005, solicitou o mesmo exame para ele. “Eu estava com uma infecção e o urologista pediu”, lembra. Porém, como é um teste que precisa ser feito periodicamente, ele resolveu aguardar o exame que já tinha solicitado. “Demoraram 2 anos e 2 meses só para agendar. E o exame foi marcado para dois anos, quatro meses e 10 dias depois do solicitado”, calcula.
O superintendente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), Reinaldo Rocha, informa que o exame foi marcado pela Central de Agendamento para ontem, último dia de férias do especialista na área. Rocha destaca que o problema já foi resolvido e Álvares poderá fazer o ultra-som na manhã de hoje.
Procurada pelo Jornal da Cidade, a Secretaria de Estado da Saúde, informa que a Central de Agendamento da Diretoria Regional de Saúde-6 é responsável por marcar os testes. A assessoria de comunicação da pasta informa que a demora foi em razão da alta procura pelo procedimento.