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Campeonato Paulista: Márcio Bittencourt: “Amizade é amizade e trabalho é trabalho”

Rodrigo Allegro
| Tempo de leitura: 4 min

O novo técnico do Noroeste para a seqüência do Campeonato Paulista, Márcio Bittencourt, foi apresentado ontem, na Sala de Imprensa do clube, e deixou claro os seus principais objetivos. Além de querer realizar um ótima trabalho à frente do Norusca, Bittencourt espera treinar, novamente, o Corinthians e também dirigir a Seleção Brasileira. Sobre possíveis interferências da família Garcia em seu trabalho, Márcio Bittencourt disse que amizade é amizade e trabalho é trabalho. O ex-volante acha também que o Noroeste conta com um time competitivo e que poderá ir longe no torneio Estadual. Com Márcio, vem o seu irmão, o ex-ponta do Noroeste em 1989, Nenê, apelido de Luís Henrique Bittencourt, auxiliar do novo treinador noroestino. A seguir leia os principais trechos da entrevista de Márcio Bittencourt.

Jornal da Cidade – Márcio Bittencourt, o Damião Garcia era amigo pessoal do Fescina e criticou, em público, as alterações realizadas e o seu método de trabalho. Essa proximidade sua com o presidente e a família Garcia podem atrapalhar sua passagem pelo Noroeste?

Márcio Bittencourt - Antes de eu vir para Bauru, eu conversei com o Fernando (Garcia) sobre essa minha amizade com toda a família Garcia desde 1984. Porém, existe uma coisa, amizade é amizade e trabalho é trabalho. Eu jamais vou perder a amizade com todos eles (família Garcia). Entretanto, eu ainda continuo com o mesmo pensamento de quando eu era jogador, a de que o futebol é o meu prato de comida. Quando me procuraram para me contratar, eu falei que não abro mão das minhas convicções. Dentro de campo, eu não aceito interferência no meu trabalho.

JC - Márcio, você chega para dirigir o Noroeste na terceira rodada do campeonato. O que você espera encontrar no clube, já que amanhã (hoje) você dirige o time contra o Guarani?

Márcio Bittencourt - Eu sou bem realista no meu trabalho. Não adianta você querer chegar e inventar muito. Eu não posso mexer numa equipe onde eu cheguei apenas um dia antes do jogo. Eu vou comandar o treino desta tarde (ontem) e procurar manter o time que vem jogando.

JC - Você comandará uma equipe montada por outro técnico, o Fescina. O que você acha dessa situação?

Márcio Bittencourt - Hoje em dia, nesse mundo globalizado, você tem acesso à muitas informações. Eu já conheço alguns atletas que estão aqui, outros o Joice (Queiroz) me falou sobre as características de cada um. O grupo do Noroeste é muito bom e só não ganhou do nosso time (Juventus) porque perdeu muitos gols. Pra mim, joga quem estiver melhor e vocês podem ter certeza que eu vou colocar em campo os melhores.

JC - Sobre o Guarani, adversário de amanhã (hoje), é melhor estrear contra um time que está na lanterna ou se torna ainda pior?

Márcio Bittencourt – Não existe mais jogo fácil. O futebol está muito nivelado hoje em dia. Eu não vou fazer nada absurdo. É claro que nós vamos mudar uma coisa aqui e outra ali. O Guarani merece todo respeito, mas eu gostei da primeira conversa com o elenco e senti todo empenho do grupo pela vitória amanhã (hoje).

JC - Qual o seu perfil de trabalho? Você é mais conciliador ou mais rígido?

Márcio Bittencourt - Eu quero por em prática o meu trabalho. Eu sou uma pessoa humilde, mas ambiciosa. Todo técnico começa num time pequeno, porém eu comecei no Corinthians, que é um time grande. Eu não esconde de ninguém que a minha passagem pelo Corinthians ficou entalada. Podem ter certeza que eu vou voltar a dirigir o Corinthians um dia. O meu perfil de trabalho é buscar o máximo dos atletas. Eu trabalhei como auxiliar de muitos treinadores, entre eles, o Parreira, Passarella e o Tite. O que eu percebi é que todos os treinadores são iguais. Uns atrapalham mais e outro menos e eu procuro atrapalhar o menos possível (risos). Eu gosto de conversar e ajudar o máximo meus jogadores. Na minha opinião, o que manda mesmo é a hierarquia e os resultados. Sem esses dois, você não se torna vencedor. Podem ter certeza que se derem oportunidade e eu conseguir acertar o Noroeste o mais rápido possível, nós vamos dar muito trabalho.

JC - Você acredita que o Noroeste, sob o seu comando, estará pronto para repetir as campanhas dos anos anteriores quando ?

Márcio Bittencourt – No futebol você não tem como voltar no tempo. Eu respeito muito o Fescina, mas eu gostaria de ter chegado aqui antes. Mas não foi desta forma. Não existe varinha mágica onde tudo fica perfeito. É trabalho e trabalho, só assim você acerta um time e o faz virar vencedor. Eu quero dirigir o Noroeste nesse Campeonato Paulista da melhor maneira possível e depois seguir o meu caminho num time grande e, se tudo der certo, treinar a Seleção Brasileira um dia.

JC - Como você vê o futebol de hoje?

Márcio Bittencourt - O futebol de hoje mudou muito em relação a minha época e das anteriores. A marcação e o preparo físico predominam. Antes, com 60% você jogava, já hoje só estando 100% e olhe lá. Os atletas também não têm tanto compromisso com os clubes, como era antigamente, mas eu vivo e estudo o futebol todos os dias.

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