Nacional

PF prende 5 por fraude na Previdência

Por Thiago Guimarães e Renata Baptista | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Belo Horizonte - Cinco pessoas foram presas e duas estavam foragidas em operação realizada ontem para combater fraudes à Previdência Social na região de Governador Valadares (MG). A ação foi conseqüência das apurações sobre o suposto esquema de fraudes que motivou o assassinato, em setembro de 2006, da médica-perita Maria Cristina de Souza Felipe da Silva. Ela era chefe da gerência de benefícios do INSS na cidade mineira e investigava as irregularidades.

O ex-médico-perito Milson Brige, 63 anos, denunciado como mandante do crime, foi condenado em julho passado a 16 anos de prisão e excluído do INSS. Na operação de ontem, mais um mandado de prisão foi expedido contra ele. Outras três pessoas estão presas pelo assassinato.

Investigações da força-tarefa formada por Polícia Federal, Ministério Público Federal e Ministério da Previdência apontaram que o grupo liderado por Brige atuava desde 2000. Já foram identificados 600 benefícios falsos (incapacidade, auxílio-doença e aposentadoria por invalidez), que causaram prejuízo de R$ 10 milhões ao erário. Ao todo, cerca de 15 mil benefícios estão sob suspeita e serão revisados.

O suposto esquema era formado, segundo a força-tarefa, por um núcleo central de médicos-peritos do INSS, despachantes, agenciadores e médicos particulares. O perito Altair de Paula Vargas foi detido ontem - outro médico do INSS cujo nome não foi divulgado estava foragido até o início da noite. Os outros presos seriam agenciadores das fraudes.

Há cinco médicos particulares sob suspeita - a prisão temporária deles chegou a ser pedida, mas foi negada pela Justiça. “Quando a perícia ia para peritos do grupo, não tinha problema. Quando caía em peritos de fora do grupo, as pessoas articulavam e iam antes a esses médicos particulares, que vinham dando grande quantidade de atestados para apresentação aos peritos da Previdência”, disse o procurador Adaílton Ramos do Nascimento.

Segundo o procurador, não há até o momento provas de que os suspeitos presos ontem tenham relação com o assassinato da perita. O delegado Rui Antônio da Silva estima que haja ao menos outras 20 pessoas envolvidas nas fraudes.

De acordo com ele, os presos devem ser indiciados por estelionato, corrupção e formação de quadrilha. Início Brige começou a operar o suposto esquema, segundo Nascimento, entre servidores de empresas de transporte de passageiros da região onde atuava como médico do trabalho, paralelamente às funções no INSS. “Seus primeiros clientes nas concessões fraudulentas de aposentadoria se transformaram em agenciadores e foi virando uma bola de neve”, disse.

A reportagem entrou em contato com a casa e o consultório médico do perito Vargas, mas a secretária e um parente disseram ter sido recomendados a não comentar o caso nem fornecer o telefone do advogado do médico. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Brige.

Comentários

Comentários